Soltura de aves nascidas na Itaipu vai ajudar no repovoamento de espécie na Argentina

Soltura de aves nascidas na Itaipu vai ajudar no repovoamento de espécie na Argentina

10h36 - 03/12/2019

O programa de reprodução de espécies da Itaipu Binacional vai atingir um feito inédito nas próximas semanas. Pela primeira vez, desde que a iniciativa foi criada na década de 1980, animais nascidos no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) serão soltos na natureza.

Em setembro, dez aves da espécie mutum-de-penacho (Crax fasciolata) – seis fêmeas e quatro machos – foram cedidas à Fundação Conservation Land Trust (CLT) Argentina e serão soltas em uma área que futuramente vai se integrar ao Gran Parque Iberá, uma área de 700 mil hectares, na província de Corrientes, região onde a espécie está extinta há cerca de 40 anos.

Os mutuns-de-penacho serão soltos em uma área na região de Corrientes, na Argentina. Fotos: CLT Argentina

Quando chegaram à Argentina, as aves ficaram em quarentena e, há três semanas, foram soltas em um amplo recinto de pré-soltura para se adaptarem ao novo habitat. Com 100 metros quadrados e 12 metros de altura, o recinto tem espaço suficiente para o animal se socializar com os outros indivíduos e formar casais. Em algumas semanas, será possível abrir as portas do recinto e deixar as aves saírem para esta região do parque, uma mata com cerca de 600 hectares.

“Todo conservacionista, que trabalha com a preservação das espécies, tem o objetivo de fazer o trabalho completo: proteger os habitats naturais, reproduzir em cativeiro espécies ameaçadas e, depois, reintroduzir indivíduos destas espécies na natureza para formar novas populações silvestres”, disse o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva. “A Itaipu já tem grande sucesso em ações de recuperação de habitats, com a criação dos refúgios biológicos, e na reprodução de espécies ameaçadas. Faltava a reintrodução da natureza”, concluiu.

As aves estão em um espaço de pré-soltura para se acostumarem ao local.

Segundo Ariel, o RBV já é um centro de referência em reprodução de espécies da Mata Atlântica e de fornecimento destes animais para outros centros. Em relação aos mutuns, por exemplo, já nasceram no Refúgio Biológico de Itaipu 29 aves – mesmo depois de enviados os animais para Argentina, o espaço ainda conta com um plantel de 25 mutuns. Além deles, a Itaipu enviou três antas (Tapirus terrestris), sendo dois machos e uma fêmea, que também serão reintroduzidos na região de Iberá. Um macho de onça-pintada, nascido recentemente no RBV, também deve ser enviado ao Fundação Conservation Land Trust (CLT) Argentina, no próximo ano.

O recinto onde as aves vão ficar tem 100 m² de área e 12 metros de altura e é ideal para socialização das aves.

O programa de reprodução de espécies da Itaipu inclui ainda animais como a harpia, a anta, o veado-bororó e a onça-pintada. A reprodução das harpias é a mais bem-sucedida do mundo, chegando a quase 50 aves nascidas no RBV. 

Já existem convênios para enviar aves para Nuremberg (Alemanha), Beauvais (França) e para o zoológico do museu Smithsonian em Washington (Estados Unidos). “São locais especializados em reprodução e que vão nos ajudar a aumentar o plantel da espécie. Quando precisarmos de exemplares para soltura, poderemos requisitar com eles”, diz Ariel.

Mutum-de-penacho

Medindo cerca de 80 centímetros e com peso aproximado de 2,5 a 3 quilos, o mutum-de-penacho é uma ave territorialista que se encontra em várias regiões da América do Sul. A espécie Crax fasciolata fasciolata ocorre no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, no Paraguai e no norte da Argentina nas províncias de Formosa, Chaco, Corrientes e Misiones. Outras espécies como a Crax fasciolata grayi e a Crax fasciolata pinima podem ser encontradas na Bolívia e na Região Norte do Brasil.

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