Menos regras, mais humanização: palestra aborda relação com as novas tecnologias

Menos regras, mais humanização: palestra aborda relação com as novas tecnologias

14h17 - 13/08/2019

Cineteatro dos Barrageiros estava cheio na manhã dessa terça-feira (13). Fotos: Sara Cheida.

“Compreender para transformar” é o tema da Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – Sipat 2019, mas também poderia ser o título da palestra ministrada na manhã desta terça-feira (13), no Cineteatro dos Barrageiros, por Eduardo Ferro dos Santos, professor da Universidade de São Paulo (USP). O engenheiro falou sobre o novo papel da ergonomia frente a um mundo que não para de evoluir – e que precisa entender as necessidades dos trabalhadores para promover mudanças eficazes. 

Ferro mostrou exemplos de como a tecnologia pode ajudar o ser humano, especialmente no ambiente de trabalho. 

“Não podemos mais pensar apenas em altura da cadeira ou posição do mouse. A ergonomia tem que olhar para outras variáveis, desenvolver um novo olhar sobre o trabalho humano”, afirmou Ferro. “O trabalhador não interage apenas com as ferramentas, mas também com os pares, as lideranças, o contexto organizacional, sem falar no contexto externo. Tudo deve ser levado em conta para garantir saúde e segurança no trabalho.”

A tecnologia fez com que as próprias ferramentas mudassem. Daí o nome da palestra: “Ergonomia e tecnologias emergentes”. Adeus, bloco de papel, calculadora e telefone: hoje, para muitos profissionais, aplicativos de celular e internet é que são essenciais para desenvolver suas atividades. Mas, e quando as tecnologias passam dos limites?

Doenças psíquicas e psicológicas já afastam mais trabalhadores do mercado que acidentes. E os números sobem cada vez mais. 

“Ninguém cria alguma máquina pensando em acabar com os empregos. Desenvolvemos tecnologias para tirar os seres humanos de atividades consideradas perigosas e automatizá-las; para facilitar a nossa vida. Mas, se não temos limites, se cometemos excessos, a tecnologia também pode prejudicar”, explicou o professor. 

Para exemplificar o lado negativo da tecnologia, o professor lembrou o WhatsApp – ferramenta queridinha dos brasileiros que facilita a comunicação, especialmente em grupos. Porém, se usado de forma errada, o herói se torna vilão: usar o WhatsApp no final de semana para resolver problemas de trabalho acaba gerando ansiedade, tensão e irritação. Porém, como lidar com essas novidades? 

Ao final da palestra, o professor recebeu uma lembrança do presidente da Cipa, Alexandre Kozerski. 

“O essencial é que não se pode mais ver a ergonomia como uma regra ou um checklist. A ergonomia moderna não pode ver só a parte física, mas também o bem-estar emocional do trabalhador, se o objetivo é que ele desempenhe um bom trabalho, de forma segura e com saúde”, disse Eduardo Ferro. 

“Para ter saúde no trabalho, o profissional precisa se sentir bem física e emocionalmente, ter conforto e motivação, e isso exige envolvimento e adaptação não só dos próprios trabalhadores, como também das empresas. Temos que ver com novos olhos e compreender melhor a nova realidade do trabalho, para poder gerar transformações”, finalizou o especialista. 

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