Jovens do Velejar é Preciso competem no mar pela primeira vez

Jovens do Velejar é Preciso competem no mar pela primeira vez

10h57 - 06/11/2019

Atletas do projeto Velejar é Preciso mostram as conquistas nos Jogos de Aventura e Natureza. Fotos: Valdir Amaral.

Não basta competir, é preciso ver o mar. Vinte e nove meninos e meninas do Projeto Velejar é Preciso, de 12 a 17 anos, tiveram neste ano a oportunidade de ver o mar pela primeira vez, competindo nos Jogos de Aventura e Natureza, promovidos pelo Governo do Paraná.

Mais do que isso, os garotos do projeto mantido pela Itaipu Binacional, em parceria com o Iate Clube Itaipu (Icli), foram destaque na competição, com recorde de troféus nas três etapas já realizadas. Foram 7 troféus conquistados em Guaratuba (17 e 18 de agosto), 9 em Foz do Iguaçu (5 e 6 de outubro) e 11 em Antonina (26 e 27 de outubro). Além disso, Vinicius Adão Pereira da Silva, de 12 anos, recebeu o Troféu Superação.

Ainda falta uma etapa para o fim dos jogos, prevista os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Carlópolis. Mas os resultados do Velejar é Preciso já permitem ao projeto pleitear até 12 Bolsas Atleta oferecidas pelo Governo do Estado. Atualmente apenas cinco crianças têm o benefício.

A coordenadora do projeto, Angélica Scloneski, e o pequeno Vinícius: ele só queria aprender, mas deu exemplo de superação. Fotos: Valdir Amaral

“Os Jogos de Aventura e Natureza estão sendo muito importante pra nós. Primeiro, porque pela primeira vez foi possível levarmos um número maior de crianças para competir e a experiência fortalece os laços do grupo; segundo, porque a atuação do grupo está sendo reconhecida; terceiro, porque está sendo possível proporcionar aos meninos a experiência de navegar no mar, o que vai fazer toda a diferença em competições futuras; e, por fim, não há como mensurar a emoção da oportunidade única deles conhecerem o mar”, destaca Angélica Scloneski, coordenadora da iniciativa pelo Icli.

Essa emoção foi parte da adrenalina que levou Vinicius a receber o Troféu Superação. O nervosismo que tomou conta do garoto diante da grandeza do mar o levou a cometer um erro grave na prova em Antonina. Ele queimou a largada e foi desclassificado. Avisado pelo apoio técnico, ainda assim quis continuar até o fim. “De maneira alguma eu poderia perder a oportunidade de navegar no mar, queria aprender”, justifica.

Se não bastasse, próximo da chegada, o barco do Vinicius barco virou. Mesmo desclassificado, ele não quis ajuda, manteve os padrões da competição e sozinho resolveu o problema. Tocar os pés na areia, cumprindo o trajeto, foi mais do que o troféu sonhado por tantas noites antes da disputa. Tanto que ele fez questão de avisar pessoalmente a mesa julgadora que foi sua a decisão de terminar a regata. “Não queria atrapalhar ninguém, apenas queria ter certeza que ia conseguir”, explica. Arrancou lágrimas e o merecido troféu.

No Velejar, crianças aprendem técnicas esportivas, mas também sobre resiliência, organização, respeito ao próximo, amizade, competitividade e outros aspectos visando a formação de cidadãos melhores. Foto: Luciany Franco.

Desafio

A simples viagem de ônibus, ver o mar pela primeira vez e participar da competição foram desafios vencidos pelos jovens do Velejar é Preciso. Mas, desafio mesmo, há no dia a dia. Em um esporte considerado caro, seria impossível para esses jovens ter acesso se não houvesse a parceria da Itaipu e do Icli.

Os coordenadores avaliam que ainda há muito que fazer para chegar à excelência. Conforme Angélica, a prática da Vela é o meio utilizado para trabalhar questões da vida, como competitividade, respeito ao próximo, resiliência, frustrações, organização, educação e amizade. “Temos muitos jovens com potencial para se tornarem grandes atletas olímpicos, mas temos principalmente buscado formar homens e mulheres melhores”, resume.

Com atividades de segunda a sábado, atualmente, a iniciativa conta com 110 crianças e jovens inscritos, de 8 a 18 anos, moradores do Bairro Três Lagoas de Foz do Iguaçu. Juntos, estão sonhando com uma programação para comemorar, em 2020, os 20 anos do Velejar é Preciso. Na imaginação, há bolo e balões. Os presentes dizem que estão sendo preparados agora: são os singelos troféus para demonstrar que o investimento da Itaipu e do Icli têm valido a pena. Mal sabem eles que suas atitudes do dia a dia já são um resultado a ser comemorado.

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