Itaipu e Embrapa celebram parceria para tecnologia de produção de peixes com bioflocos

Itaipu e Embrapa celebram parceria para tecnologia de produção de peixes com bioflocos

10h06 - 29/11/2019

A Itaipu Binacional e a Embrapa Meio Ambiente celebraram, na última semana, um acordo de cooperação técnico-científica para o uso da tecnologia de cultivo de peixes com bioflocos – BFT (Biofloc Tecnology), técnica desenvolvida pelas duas empresas. A tecnologia, ainda pouco difundida no Brasil, utiliza partículas suspensas (os bioflocos) como uma espécie de filtro biológico, deixando a água sempre em condições para o cultivo de peixe.

A tilápia possui habilidade para aproveitar o biofloco como alimento complementar. Isso permite a redução do nível de proteína na ração desta espécie e diminui o custo de produção. “Essa dinâmica mantém a qualidade da água. Com o bioflocos, o sistema produtivo fica mais equilibrado, com menor uso de insumos e maior produtividade, aumentando a competitividade”, disse o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Hamilton Hisano.

Eficiência e sustentabilidade


Tanque na Itaipu que usa o sistema de bioflocos. Foto: Nilton Rolin

Com a parceria, as instituições pretendem unir esforços para o desenvolvimento e validação de tecnologias mais eficientes e sustentáveis, baseadas nos resultados de trabalhos prévios das duas empresas.

Na Itaipu, o sistema é desenvolvido desde 2017 em dois tanques: um coberto, de 80 mil litros, e outro de 5.500 litros. Já a Embrapa desenvolve atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) com o sistema BFT para produção de peixes juvenis de tilápias desde 2013.

A chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Meio Ambiente, Paula Packer, avalia a parceria com a Itaipu como “uma oportunidade ímpar para apresentação de ativos de inovação que visam a melhoria estratégica da cadeia produtiva do peixe”. “A especialização e a intensificação das produções animal estão crescentes em todas as regiões, requerendo uma inter-relação com ações inovadoras dos processos e resultados nas cadeias produtivas, visando melhorias estratégicas”, afirmou.

O resultado esperado é a contribuição do crescimento sustentável da aquicultura brasileira, com a geração de empregos e renda para piscicultores, principalmente nos estados do Paraná e São Paulo, principais produtores de tilápias do País, respectivamente.

Incentivo à piscicultura sustentável


Peixes cultivados no tanque do bioflocos, da Itaipu. Foto: Nilton Rolin

A Itaipu fomenta a aquicultura regional com ações que vão desde ao apoio à cadeia produtiva, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e assistência técnica aos produtores da área de abrangência do reservatório, mantendo a preocupação com a manutenção da qualidade da água e a biodiversidade aquática.

O superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva, explica que, por mais técnico que seja o cultivo de peixes no reservatório, a atividade merece atenção para que ela não interfira na qualidade final da água, o principal insumo da hidrelétrica. Daí a necessidade de aliar a produção com a sustentabilidade para a segurança hídrica.

“Para evitar problemas, realizamos alguns estudos com as melhores tecnologias para cuidar da água”, afirmou. “Com isso, consideramos o uso do bioflocos, por meio da cooperação técnica com a Embrapa, por se tratar de uma tecnologia eficiente no uso da água”, completou.

Segundo Ariel, a intenção é qualificar todo o sistema produtivo de pescado na abrangência do reservatório para que a atividade seja a mais sustentável possível e a geração de energia e a piscicultura tenham um objetivo comum. “Precisamos planejar, com extremo cuidado, os multiusos da água” disse.


Tanques-redes no reservatório na região do Portinho, do RBV. Foto: Rubens Fraulini

“Já existe cooperativa empregando o sistema bioflocos para a produção de alevinos e peixes juvenis. Nossa ideia é seguir somando forças ao que é racional e ambientalmente mais correto”, disse o engenheiro agrônomo André Luiz Watanabe, da Divisão de Reservatório (MARR.CD). “A parceria técnico-científica com a Embrapa vai nos permitir projetar a criação de um inédito pacote tecnológico e a formação de mão de obra especializada no manejo mais tecnificado”, afirmou.

Para Watanabe, “essas ações contribuirão significativamente para a disseminação de práticas e sistemas de produção de peixes ambientalmente mais sustentáveis”.

Com informações da Assessoria da Embrapa

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