Diálogo no ambiente corporativo ajuda pessoas vítimas de assédio moral e físico

Diálogo no ambiente corporativo ajuda pessoas vítimas de assédio moral e físico

12h26 - 10/12/2018


Vítimas de violência domésticas estão em todos os lugares e precisam ser amparadas, sem discriminação, afirmou a coordenadora do Cogemmev, Márcia Figueiredo

A importância de se discutir no ambiente corporativo a temática do assédio moral e físico foi um dos assuntos abordados pela coordenadora geral do Comitê Permanente para Questões de Gênero, Raça e Diversidade do Ministério de Minas e Energia e Entidades Vinculadas (Cogemmev), Márcia Figueiredo, durante a 36ª Assembleia Geral Ordinária do grupo, realizada na Itaipu Binacional entre 28 e 29 de novembro. O encontro fez parte do calendário dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Nesta segunda-feira (10), é celebrado o Dia Internacional de Direitos Humanos.

Segundo Márcia, esse tipo de conversa contribui para que a vítima veja que há uma saída e tome uma decisão pessoal. “O grupo de trabalho deve apoiar quem sofre com esse tipo de violência. Não é que você será permissível a isso, mas saberá administrar a situação para que a pessoa se sinta respeitada”, afirmou durante a reunião. Na Itaipu, a atividade foi organizada pelo Programa de Equidade de Gênero e do Comitê de Gênero da margem esquerda.


A coordenadora do CRAM de Foz, Kiara Heck, fala com os participantes do evento.

A ideia é que as empresas possam oferecer ajuda e compreendam ausências no trabalho que tenham como justificativa assuntos ligados a esse tipo de violência. “Às vezes, a mulher está machucada e vai tirar uma licença porque não quer que as pessoas vejam os hematomas. Se a empresa não dá abertura, ela não vai falar o verdadeiro motivo do afastamento", explicou Márcia.

O assédio moral e físico é um tipo de violência que atinge pessoas de todas as classes sociais, inclusive as que estão no alto escalão das empresas. O mais difícil, segundo Márcia, é a vítima assumir que sofre tal violência. "Daí a necessidade de se falar sobre o tema, para que a mulher reflita e repense sobre o que tem acontecido". A conversa no ambiente corporativo também é uma oportunidade dos agressores reconhecerem comportamentos considerados agressivos.

A violência doméstica é um problema preocupante, segundo a ONU. Tema é uma das violações aos direitos humanos.

O foco da reunião foi a finalização do plano estratégico, que será encaminhado ao governo e entidades vinculadas, para que todos tenham diretrizes do que é a política de gênero, raça e diversidade e possam tratar o tema no ambiente corporativo. “Estamos em discussão sobre essa política, que vai trazer respeito e oportunidades. São diretrizes sobre o assédio, agressões, situações que, muitas das vezes, a vítima sofre em casa e isso acaba afetando no seu trabalho”, disse Márcia.

O encontro na binacional reuniu representantes das 21 empresas ligadas ao Cogemmev, da qual Itaipu faz parte. A binacional tem duas representantes no conselho: a titular Lilian Paparella, da Assessoria de Responsabilidade Social (RS.GB) e coordenadora do Programa de Equidade de Gênero da Itaipu (Brasil), e a suplente Erika Davies, da Divisão de Iniciativas de Responsabilidade Social (RSIR.GB).

“Queremos promover este tipo de diálogo internamente, permitindo que os integrantes do nosso Comitê participem e conheçam projetos estruturados, e como nosso plano de ação para o tema está alinhado às diretrizes do governo e às  nossas metas empresariais”, disse Lilian Paparella. “Nestes encontros, temos ainda oportunidade de discutir com entidades locais e, principalmente, com aquelas instituições ligadas ao Ministério de Minas e Energia, que nos dão certeza sobre nossa atuação sobre o tema”.

Tércio Albuquerque: condutas machistas são males a serem enfrentados.

#16Dias

O primeiro dia da reunião do Cogemmev, no Auditório César Lattes, contou com a palestra do juiz de Direito Ariel Nicolai Cesa Dias, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Foz. O evento foi aberto a convidados e convidadas do quadro funcional da Itaipu e do PTI, além de representantes da 1ª Regional de Saúde - Governo do Paraná, Centro Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM), Fecomércio Paraná, Câmara da Mulher Empreendedora, Sindilojas de Foz do Iguaçu, Conselho da Mulher Empresária Executiva (Acifi), Mulheres Executivas (Mex), OAB Foz do Iguaçu, Sociedade Amigos da Marinha, Associação de Mulheres do Turismo - Amutur/Foz, Voluntárias Cisne Branco e Associação de Senhoras de Rotarianos (ASR).

Na abertura, Tércio Albuquerque, assistente da Diretoria Geral Brasileira, representou o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Marcos Stamm. Em sua fala, o assistente citou o caso dos servidores de Guaratuba, no litoral do Paraná, que observavam mulheres na praia por meio da câmera de vigilância. Para ele, este é um triste exemplo de como a violação dos direitos e o machismo precisam ser combatidos, inclusive dentro das empresas, de forma que casos como esse não voltem a ocorrer.

A secretária de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu, Rosa Maria Jeronymo Lima, defendeu o diálogo entre as entidades, como o ocorrido no dia 28 na Itaipu. "Ações como essas, de incentivo à equidade, não diz respeito apenas às mulheres. É uma iniciativa de direitos humanos", afirmou. "O Brasil tem uma vítima de agressão física por hora. São situações que precisam ser discutidas. Só assim teremos uma reflexão coletiva."

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