Aventura sobre duas rodas: colega vai de moto até Machu Picchu

Aventura sobre duas rodas: colega vai de moto até Machu Picchu

10h10 - 07/06/2019

Desbravar as paisagens da América do Sul é o sonho de muitos aventureiros ao redor do mundo. Entretanto, para o Wagner Swiderski, da Divisão de Segurança Central (SEOC.AD), aventurar-se pelas estradas do continente se tornou uma tradição de férias. E, no caso dele, esqueça os meios convencionais de deslocamento, como ônibus ou avião. O negócio deste agente de segurança é subir em uma moto e aproveitar a viagem de maneira única, sobre duas rodas. Suba na garupa e viaje conosco nessa aventura, relatada abaixo.

Durante 18 dias, Swiderski e um grupo de seis amigos motociclistas percorreram mais de sete mil quilômetros, numa viagem que passou por três países. Entre os objetivos da equipe estava conhecer a cidade histórica de Machu Picchu e a Rainbown Mountain, no Peru, além do Salar de Uyuni – o maior deserto de sal do mundo, na Bolívia. 

A união das viagens

Sem medo de se aventurar, Wagner encara todos os desafios do trajeto pelo continente. 

Wagner já é um experiente nesse tipo de expedição. No ano passado, aqui no JIE, nós contamos a história da viagem à Patagônia que ele fez com a esposa, também a bordo de uma motocicleta. Essa história, aliás, tem tudo a ver com essa nova expedição.

A primeira parceira de Wagner nas viagens foi a esposa Daniela. 

Na ocasião, foram mais de 12 mil quilômetros percorridos e um desses trechos foi o de Ushuaia, na Argentina. Lá, ele conheceu outro grupo de motociclistas brasileiros, da cidade de Americana (SP). Na oportunidade, os aventureiros trocaram telefones para montar um grupo no Whatsapp.

“Após voltar para o Brasil, continuei conversando com o pessoal pelo grupo. Com o tempo, eles começaram a planejar uma nova viagem e isso me animou. Até que, enfim, decidi partir com eles. Por sorte, minhas férias coincidiram com a data marcada para a viagem”, relatou.

A partida 

Foram 18 dias de viagem pela América do Sul. 

Logo que entrou de férias, no último dia 8 de abril, ele partiu para encontrar os colegas na cidade de Corumbá (MS). O município faz fronteira com a Bolívia, o primeiro país da saga.

“Na fronteira com a Bolívia encontramos alguns problemas na Aduana, principalmente com o excesso de burocracia e o atendimento demorado. Foi necessário fazer uma importação temporária do veículo, chamada de ‘declaración jurada’, que é uma espécie de liberação para circular dentro do país. Os policiais nos paravam constantemente na rodovia para conferir essa autorização”.

Apesar dos empecilhos, a viagem seguiu pela Ruta 4 e passou pelas cidades de San José de Chiquitos, Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba, até chegar em La Paz. 

Camino de La Muerte

Os desafios com a altitude foram recompensados com a vista.

Na capital boliviana, o grupo foi se aventurar pela Estrada da Morte (Camino de La Muerte), considerada uma das vias mais perigosas do mundo. O caminho tem apenas três metros de largura e está cercado por um precipício.  

“É um local com muita mística e, no inicio, quando vimos diversas cruzes pelo caminho, nossa adrenalina ficou lá no alto. Íamos conduzindo lentamente e com muita parcimônia, pois o dia estava bem frio e chuvoso. Mas aquele é um local único e o medo passou rapidamente, mesmo com um precipício ao redor. A natureza é exuberante”.

Depois de perder o medo da Estrada da Morte, Wagner aproveitou para registrar a experiência. 

Outro ponto interessante do país visitado pelos aventureiros foi a Montanha Chacaltaya. Localizada a 30 km de La Paz, o local abrigava a estação de esqui mais alto do mundo, que ficava a 5.421 metros de altitude, e foi desativada por conta da falta de neve. 

“Enfrentar a altitude foi um grande desafio para todos nós. Meu recurso foi mastigar folhas de coca [artifício usado pelos povos locais] para controlar a falta de oxigênio. Mas, ainda assim, conhecer a Chacaltaya foi uma experiência fantástica e especial”, afirmou. 

O percurso até o alto da montanha foi todo feito com as motocicletas. 

Chegada ao Peru 

No Peru, os aventureiros embarcaram em mais uma jornada para conhecer outro ponto histórico do continente. 

De La Paz, o grupo pilotou por mais de 200 km pela Ruta 1 até chegar a Puno, no Peru. “Fomos passear pela cidade e conhecemos os pontos turísticos. De Puno, rumamos em direção a Cuzco, para chegar ao nosso próximo destino: Machu Picchu. Durante o trajeto pela Ruta 3F, acompanhamos o Lago Titicaca, que embelezava a paisagem e nos dava mais prazer em pilotar.” 

As ruínas de Machu Picchu

Em Cuzco, os motociclistas contrataram uma agência de turismo para levá-los até a cidade histórica de Machu Picchu. “O passeio começa com uma viagem de trem até a cidade. É um trajeto fabuloso. De um lado, margeamos um rio, do outro, montanhas incríveis. Fiquei encantado com as montanhas nevadas. É realmente algo único. Após sairmos do trem, um micro-ônibus nos levou até o alto da montanha. Porém, outra parte do caminho precisou ser feita a pé, e, por conta da altitude, foi uma subida que exigiu um bom preparo físico”, lembrou.

A cidade histórica foi mais um dos pontos altos da viagem. 

Wagner conta que o passeio foi repleto de visuais inesquecíveis e, com certeza, Machu Picchu entrou para essa lista. “No dia em que fomos, o local estava muito lotado. O céu estava bem azul e a temperatura era perfeita. Um guia nos acompanhou durante todo o percurso, que durou cerca de duas horas. Depois, ficamos livres para conhecer melhor as ruínas e acabamos passando o dia todo por ali, conhecemos restaurantes, bares e afins. Quando decidimos voltar, já era quase meia-noite. Foi mais um momento especial da viagem”. 

A beleza histórica de Machu Picchu pelos registros do colega. 

A montanha colorida de Cuzco e o deserto de sal na Bolívia

As montanhas coloridas não ficaram visíveis por conta da névoa e chuva que estava caindo, entretanto, o local permaneceu místico. 

A saga pelo Peru continuou com a visitação à Rainbown Mountain – as montanhas coloridas. “Para irmos à Rainbown Mountain fizemos um roteiro repleto de façanhas. Como queríamos chegar rápido até lá, fomos a cavalo, que é guiado pelos nativos da região. O caminho é repleto de subidas íngremes e desfiladeiros que nos deixaram apavorados, mas eles conduzem com uma naturalidade impressionante. Outro momento interessante foi ver o pessoal jogando futebol, mesmo a mais de 5 mil metros de altitude.”

O trajeto foi guiado pelos nativos da região, o povo Quéchua. 

Após esse último ponto visitado no Peru, os amigos iniciaram o trajeto para chegar ao Salar de Uyuni, na Bolívia. “Esse era um dos lugares que eu sempre sonhei em visitar. O Salar de Uyuni é considerado como o maior deserto de sal do mundo, então dá pra imaginar o quão único é estar ali”.  Do deserto de sal, o grupo voltou à estrada para o percurso de volta ao Brasil.

A bela imagem foi feita por Wagner com o drone que ele levou. 

Chegada a Foz

No dia 25 de abril, Wagner chegou a Foz com mais uma experiência no currículo de aventureiro e diversas histórias para contar. Essa viagem só o motivou a pensar em mais uma expedição e o planejamento já começou. Só que desta vez, ele irá sobre quatro rodas e novamente acompanhado de Daniela.

“Quero fazer outra viagem a Patagônia com a minha esposa e fazer o mesmo trajeto de 2017. Porém, dessa vez, iremos com o Jeep. Já vendi minha moto e meu carro, comprei o novo veículo. Em 2020, completo dez anos na empresa e vou aproveitar essas férias para fazer uma expedição para a Argentina. A aventura não para”.

Se você também viveu uma aventura como essa, ou deseja sugerir um roteiro de viagem para os colegas, escreva para nós para o Fale com a Imprensa, disponível na capa do JIE (acima, à direita) ou neste link https://jie.itaipu/formul%C3%A1rios/fale-com-imprensa. Sua história pode ser o próximo "Você, repórter".

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