Veículo elétrico Microlino entrará em produção na Itália

Veículo elétrico Microlino entrará em produção na Itália

08h26 - 07/02/2018

Fonte: O Globo Online

E a velha Isetta está para renascer na Europa, agora movida a eletricidade. Sua reencarnação chama-se Microlino e está prestes a ganhar as ruas, após três anos de promessas e alguns contratempos. Os primeiros exemplares pré-série ficaram prontos, e já há mais de 4.600 encomendas. Pelo cronograma, a produção para valer começará no segundo trimestre, na Itália, para os mercados suíço e alemão. Os construtores afirmam que será um carro elétrico realmente acessível, com preços em torno de € 12.500. Para comparar, um Smart elétrico custa € 22 mil.
A teimosia anda de patinete

O início da história do Microlino, diga-se, tem a ver com o Smart. Tudo o que o banqueiro suíço Wim Ouboter queria, em meados da década de 90, era que os carros da Smart saíssem de fábrica com um patinete dobrável no porta-malas. Seria um veículo ideal para percorrer “microdistâncias”, ou seja: trechos cansativos para se andar a pé, mas não longos o suficiente para justificar o uso de automóvel ou bicicleta.

Ouboter levou à ideia ao conterrâneo Nicolas Hayek — fundador da fábrica de relógios Swatch e idealizador do Smart. As conversas fluíram até que até que a Daimler-Benz assumiu de vez o controle da Smart, em 1997, e cortou o papo.

Mesmo sem um porta-malas para abrigar seus planos, Ouboter fundou, em 1999, uma empresa especializada em patinetes: a Micro Mobility, com sede na Suíça e fábricas na China. Seus modelos dobráveis, de alumínio, tocados a pé ou por motores elétricos, vêm fazendo grande sucesso desde então.

Ouboter poderia dar-se por satisfeito, não tivesse visto na televisão um documentário sobre a Isetta — um microcarro urbano criado em 1953 pela italiana Iso Autoveicoli S.p.A, e que foi fabricado sob licença em diferentes países, como Alemanha (com o nome BMW Isetta) e Brasil (Romi-Isetta). Veio-lhe a chispa: refazer o antigo modelo, mas usando um motor elétrico no lugar da mecânica a gasolina.

A leveza, o tamanho contido e a simplicidade da Isetta original são características que combinam com a proposta de carro elétrico para uso na cidade. O empresário então eletrificou uma velha BMW Isetta para sentir se valia a pena levar a ideia adiante — foi um sucesso nas ruas de Zurique. O passo seguinte foi trabalhar com professores e estudantes de duas universidades locais para atualizar as linhas do microcarro e criar um novo chassi. Era 2015 e, a essa altura, dois filhos de Ouboter também testavam soluções.

O primeiro protótipo foi feito na China, aproveitando-se contatos da Micro Mobility com fabricantes daquele país. Foram tantas as dificuldades na construção que Ouboter quase desistiu do projeto. Quando o protótipo, enfim, ficou pronto, caiu da empilhadeira, de uma altura de quase 2m, ao desembarcar no aeroporto para ser exibido no Salão de Genebra de 2016.

A salvação veio da Itália, quando foi fechado um acordo com a Tazzari, fábrica de carros elétricos em Ímola, que tocará a produção do Microlino em troca de 50% da sociedade. A versão final foi apresentada em Zurique, no último dia 25.

Agora com porta-malas

O motor elétrico de 15kW (20cv) vai no eixo traseiro e permite acelerar de 0 a 50km/h em 5s. Já a máxima é de 90km/h. A autonomia vai de 120km a 215km, dependendo do pacote de baterias de ion-lítio escolhido. O tempo de recarga também varia: de uma hora, com o módulo de carga rápida, a quatro horas, numa tomada comum de 220v.

A carroceria de alumínio com 2,44m de comprimento, é apenas 10% mais longa que a da diminuta Isetta original. As linhas remetem à versão feita pela BMW entre 1957 e 1962, com um grande vidro lateral. Há uma única porta, que também serve como parte dianteira do carro — ao ser aberta, a barra de direção e o volante vêm junto.

Todos os Microlino terão teto solar de lona, que também serve como saída de emergência. Por se enquadrar na categoria europeia L7e (“quadriciclo pesado”, como o Renault Twizy), o Microlino não precisa ser submetido a crash test para homologação. Um avanço e tanto em relação à Isetta é que o Microlino tem porta-malas com capacidade para 300 litros — enorme para o tamanho do carrinho. Explica-se: é para levar um patinete dobrável...

Versão para impressão