Na Itaipu, diretoria do Coritiba anuncia plano para voltar ao "alto de tantas glórias"

Na Itaipu, diretoria do Coritiba anuncia plano para voltar ao "alto de tantas glórias"

10h36 - 19/01/2018


Diretores do Coritiba e do Foz Cataratas Coritiba em reunião com Alexandre Teixeira, nesta quarta-feira (17), no Centro Executivo.

Diretores do Coritiba e do Foz Cataratas Coritiba reuniram-se com o assessor da Diretoria Geral Brasileira da Itaipu, Alexandre Teixeira, nesta quarta-feira (17), no Centro Executivo, para debater possíveis parcerias em novos projetos envolvendo as entidades. A binacional já patrocina o Foz Cataratas Coritiba – um dos principais times de futebol feminino do Brasil, resultante da colaboração entre o clube da capital paranaense e as Poderosas, apelido dado ao esquadrão da fronteira.

Após debates e o encaminhamento de algumas propostas para análise, o grupo almoçou e seguiu em visita técnica à usina. Foi um encontro oportuno, considerando que diretoria, comissão técnica e jogadores do Coxa estão em Foz do Iguaçu para, pela sétima vez, cumprir uma pré-temporada na cidade. Eles embarcam para Curitiba nesta sexta-feira (19), após 13 dias na Terra das Cataratas. A estreia oficial nos gramados em 2018 será neste domingo (21), às 17h, contra o Prudentópolis, no Couto Pereira, pela primeira rodada do Campeonato Paranaense.


Teixeira recebeu uma camisa do Foz Cataratas Coritiba.

Esperança fora de campo

A comitiva alviverde é liderada por uma figura que, mesmo sem pisar no gramado, neste início de ano simboliza a principal esperança de dias melhores para a torcida. Recém-eleito presidente, o jovem Samir Namur contraria o estereótipo do dirigente de futebol. De semblante sereno e fala assertiva, aos 34 anos o advogado e professor assumiu a responsabilidade de comandar um clube com problemas em campo e na conta bancária, com uma torcida exigente e ansiosa para voltar ao “alto de tantas glórias”, como diz a letra do hino do clube.

Em 2017, o maior campeão do Estado amargou mais um rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro e nos últimos anos teve dificuldade para honrar compromissos – salários, inclusive. O diagnóstico de Namur passa por uma profunda reformulação administrativa e financeira, mote da campanha que o elegeu. Até 2020, recuperar plenamente o clube será o seu principal compromisso.

“A viabilidade do Coritiba a longo prazo necessariamente passa por isso”, disse Namur à reportagem do JIE, que aproveitou sua passagem dos dirigentes alviverdes pela binacional para levar a palavra do novo presidente não apenas à torcida coxa-branca na Itaipu, mas também a todos que torcem por um futebol paranaense mais forte.

No futebol, o verbo economizar costuma ser conjugado com cautela. Costuma-se associar o rígido controle financeiro à formação de times fracos, mas Namur tranquiliza a torcida. “Se você tiver critério para tomar decisão, com profissionalismo e planejamento, é perfeitamente possível ao mesmo tempo sanear o clube, montar um bom time e obter bons resultados em campo.”

Eis, portanto, a fórmula alviverde para fazer de 2018 um ano bem melhor que 2017: apostar em um time com folha salarial relativamente baixa, formado por uma mescla de jovens jogadores formados pelo próprio clube, recém-profissionalizados, com alguns atletas mais experientes e bem escolhidos. Paralelamente, fora das quatro linhas, rigidez e austeridade são palavras de ordem. “Entendido isso, claro que para 2018 a prioridade é subir para a Série A do Brasileiro, sem dúvida”, ressaltou.


Samir Namur: a esperança de dias melhores para a torcida do Coritiba está depositada na figura do jovem dirigente.

Coritiba e Foz do Iguaçu

Se nas primeiras pré-temporadas em Foz o principal argumento dos gestores do Coritiba para levar os jogadores ao extremo Oeste do Estado era a aclimatação ao calor interiorano, providencial para a disputa do Paranaense, agora outros elementos entram nesta conta.

“O Coritiba plantou uma semente lá atrás que, hoje, consolidou uma relação com a cidade de Foz”, afirmou Namur. “Em termos técnicos, de estrutura, Foz do Iguaçu nos fornece centros de verdadeira excelência, que permitem o preparo para uma boa temporada, mas nossa presença aqui não é mais só para um período de treinamento”, disse o dirigente. “Já existe toda uma relação com a cidade, com as instituições, com o Flamengo Esporte Clube, onde treinamos, com o Hotel Bourbon, onde ficamos, e com o futebol feminino do Foz Cataratas, por exemplo.”

Aumentar a torcida do Coritiba fora da região da capital – a concorrência com clubes de outros estados é um problema que Atlético e Paraná também enfrentam – sempre foi um dos objetivos, mas Namur sabe que apenas estreitar a relação com a cidade não basta para isso. É preciso bola na rede e títulos importantes, algo que só é possível com a construção de uma base financeira e administrativa sólida.

“Um bom projeto voltado à expansão da marca e à atração de mais torcedores passa, primeiramente, por fazer a lição de casa”, disse. “Mais importante do que qualquer estratégia de marketing que se possa pensar é ter, antes de tudo, um clube organizado, com os pés no chão, que saiba quais são as principais emergências e prioridades, o que tem para ser consertado”, destacou. “Um clube organizado, transparente e vencedor por si só já atrai torcedores.”

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