Presença de bugios na região atesta eficiência do Corredor da Biodiversidade de Itaipu

Presença de bugios na região atesta eficiência do Corredor da Biodiversidade de Itaipu

17h20 - 29/11/2017

O colega Edino Krug, da Divisão de Áreas Protegidas (MARP.CD), tem se tornado quase um correspondente da Divisão de Imprensa na região da Bacia do Paraná 3. E, desta vez, suas fotos ajudaram a atestar a eficiência da Faixa de Proteção da Itaipu na preservação da biodiversidade. Na semana passada, Edino registrou a presença de um grupo de bugio-preto (Alouatta caraya), quando fazia um monitoramento em campo, na região de Pato Bragado.

Bugio é flagrado pelo colega Edino Krug, em Pato Bragado.

De acordo com Krug, em conversa com moradores da região, tem sido comum encontrar uma variedade de espécies de aves, como jacutinga e jacu, quatis e o próprio bugio-preto. O grupo avistado por ele no dia em que fez o flagrante tinha cerca de 10 macacos. “Eles começaram a vocalizar alto e a reagir à nossa presença”, conta o técnico de campo.

A presença do bugio mostra que a floresta está madura e com capacidade para abrigar animais de grande porte. “É uma resposta da natureza diante dos esforços de recuperação ambiental da Itaipu ao longo dos anos”, sintetiza o técnico florestal Edson Zanlorensi, gerente da Divisão de Áreas Protegidas. “Mostra que as áreas estão servindo de abrigo para a fauna silvestre. E isso é muito importante para o processo de conservação ambiental porque, além de depender das árvores, o animal ajuda a disseminar as sementes e ampliar a cobertura florestal”, conclui.

Espécie precisa de grandes áreas protegidas para sobreviver.

Com 1.400 quilômetros de extensão só no lado brasileiro de Itaipu, o Corredor de Biodiversidade Santa Maria integra os parques nacionais do Iguaçu e de Ilha Grande e também o Parque Estadual do Turvo (RS), a Área de Proteção Ambiental Federal das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, e o Parque Estadual do Morro do Diabo (SP). O Corredor abrange ainda unidades de conservação no Paraguai (Museu Bertoni) e na província argentina de Misiones, além do Parque Nacional del Iguazú.

O bugio

Animal do gênero Alouatta, o bugio é um macaco que vive sobre as árvores e tem hábitos herbívoros. Tem corpo forte, cauda longa, vasta pelagem que varia entre as colorações preta, marrom e vermelha (os machos são mais escuros que as fêmeas). Com peso que pode variar entre cinco e dez quilos, são considerados um dos maiores primatas neotropicais. No Paraná, o bugio-preto (Alouatta caraya) está classificado como Em Perigo (EP), de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Segundo o médico-veterinário Zalmir Cubas, da Divisão de Áreas Protegidas de Itaipu, o animal vive em grupos e é territorialista. “Por isso ele vocaliza bastante, para delimitar o território da sua família”, explica. A vocalização pode durar vários minutos e ser ouvida a cinco quilômetros de distância. “O bugio precisa de áreas protegidas para sobreviver. Ele é bastante acanhado e gosta de privacidade”, conclui Cubas.

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