Saiba o que é a COP 23, os compromissos do Brasil e a contribuição da Itaipu

Saiba o que é a COP 23, os compromissos do Brasil e a contribuição da Itaipu

10h47 - 06/11/2017


Adaptações às mudanças climáticas tidas como inevitáveis estão no foco da conferência.

Começa nesta segunda-feira (6) em Bonn (Alemanha), a 23ª Conferência Mundial do Clima, promovida pela Convenção das Nações Unidas para as Mudanças do Clima (United Nations Framework Convention on Climate Change – UNFCCC). O evento, que se estende até o próximo dia 17, ocorre dois anos após a assinatura do Acordo de Paris por 170 países. A Itaipu é parceira da UNFCCC na realização da COP 23.

O Acordo de Paris foi firmado pelas nações na COP 21, na cidade francesa, em 2015. Menos de um ano depois, o documento entrou em vigor, com a meta de manter o aumento da temperatura global neste século abaixo de dois graus centígrados e, de preferência, não mais do que 1,5 grau. Porém, a medida que novos estudos estão sendo produzidos, essas cifras parecem difíceis de serem alcançadas e já se trabalha com a hipótese de um mundo 3 graus centígrados mais quente no final deste século, o que deverá resultar em impactos catastróficos para cidades litorâneas de todo o mundo, principalmente na Ásia (se você lê em Inglês, aqui há um estudo interessante divulgado pelo The Guardian com projeções para diversas cidades, incluindo o Rio de Janeiro. Clique AQUI).


Acordo de Paris foi celebrado há dois anos.

Outro estudo recente divulgado pela ONU mostra que a concentração de dióxido de carbono aumentou em velocidade recorde no ano de 2016 e atingiu o maior nível nos últimos 3 milhões de anos. O estudo aponta como causadores a atividade humana combinada com fatores naturais, como um forte El Niño, no ano passado. O El Niño aumenta as secas e diminui a capacidade de absorção do dióxido de carbono pela vegetação. E, com o aquecimento global, esse fenômeno deverá se tornar mais frequente e mais intenso. É por conta de estudos como esse que, no contexto da COP, palavras como mitigação e resiliência vem se tornando cada vez mais presentes.

A 23ª edição da COP acontece em um contexto complexo. Já não bastasse o desafio de colocar em prática o Acordo de Paris, o movimento pela ação climática perdeu, neste ano, a participação dos Estados Unidos, o maior contribuidor individual para a poluição da atmosfera desde o início da Era Industrial. Uma das principais razões para essa saída está no fato de o presidente Donald Trump ser o que a imprensa internacional chama de "climate denier" (um negador do clima, em tradução literal), que são as pessoas que negam a influência humana sobre as mudanças climáticas. Muitas vezes negam, inclusive, as mudanças climáticas.


A charge do USA Today chama a atenção para o falso dilema dos "negadores do clima": "E se isso tudo for uma grande mentira e criarmos um mundo melhor por nada". 

O impacto da saída dos EUA e como se dará o diálogo para revisão das metas a partir de 2018 estarão entre os principais temas da conferência. Outros pontos que terão destaque são: facilitar o acesso ao financiamento para projetos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas; como reduzir o risco climático para países em desenvolvimento (como as ilhas Fiji, que estão na presidência desta COP); como engajar o setor empresarial e a sociedade civil na implementação do Acordo de Paris; e como se dará o monitoramento efetivo do progresso dos países na redução das emissões.

Outro tema que chama a atenção (especialmente do setor empresarial) é a taxação das emissões de carbono, que vem sendo adotada com diferentes formatos em mais de 40 países. O nobel de Economia Joseph Stiglitz lidera uma comissão de alto nível que deverá influenciar as discussões sobre esse tema na COP. Stiglitz defende a adoção de um preço global por tonelada de emissões como forma de facilitar as negociações mundiais para reduzir os gases estufa.

Metas brasileiras


Postagem na página oficial da COP 23 destaca parceria com Itaipu e reforça importância das energias renováveis para o evento.

Desde a assinatura do Acordo, cada país se comprometeu junto à UNFCCC com metas voluntárias de redução. O Brasil pretende reduzir as emissões de GEE em 37% até 2025 e em 43% até 2030. E, para isso, estabeleceu uma série de ações em relação às energias renováveis, preservação de florestas e redução de emissões na indústria e na agropecuária. E também lançou, em 2016, o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, que tem entre seus objetivos identificar o risco que as mudanças climáticas representam para o País e diferentes regiões, bem como para setores da economia e empresas.

Itaipu é considerada referência no setor energético mundial por suas contribuições ao enfrentamento das mudanças climáticas, principalmente: com a geração de energia limpa e renovável (mais de 100 milhões de MWh em 2016), com a conservação de mais de 100 mil hectares de florestas no entorno, e com outras ações voltadas à sustentabilidade do território. 

Conjuntamente com a UNFCCC, a empresa promoverá dois eventos paralelos em Bonn. Na sexta-feira (10), haverá uma discussão sobre o Nexo Água-Energia, com participação do diretor de Coordenação da Itaipu, Helio Amaral, do chefe da equipe de Energia Sustentável da UNDESA, Minoru Takada, do chefe executivo da Associação Internacional de Hidreletricidade (IHA), Richard Taylor, e do diretor de Mudança Climática do Banco Mundial, James Close. O evento terá como moderador James Grabet, diretor de Mecanismos de Desenvolvimento Sustentável, da UNFCCC. 

No domingo (12), a Itaipu e a UNFCCC promoverão um debate sobre Serviços Ecossistêmicos (serviços prestados pela natureza que são indispensáveis à sobrevivência humana). O debate terá participação do diretor da UNDP,  Achim Steiner, do superintendente de Meio Ambiente da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva, da diretora sênior de Meio Ambiente do Banco Mundial, Karin Kemper, e do diretor executivo da Fundação Ecodes, Victor Viñuales.

Para saber mais sobre a programação dos eventos paralelos (side events) clique em https://www.itaipu.gov.br/en/press-office/itaipu-cop-23-0

Metas para o Acordo de Paris e a contribuição de Itaipu


Itaipu: reconhecida pela ONU como empresa referência no setor energético mundial nas causas ambientais.

O Brasil apresentou metas para a redução de 37% das emissões até 2025 e 43% até 2030. Para alcançá-las, o País propõe: 

  • Aumentar a participação da bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para 18%;
  • Fortalecer o cumprimento do Código Florestal;
  • Restaurar 12 milhões de hectares de florestas;
  • Alcançar desmatamento ilegal zero na Amazônia brasileira;
  • Chegar a participação de 45% de energias renováveis na matriz energética;
  • Obter 10% de ganhos de eficiência no setor elétrico;
  • Promover o uso de tecnologias limpas no setor industrial;
  • Estimular medidas de eficiência e infraestrutura no transporte público e áreas urbanas.

Brasil e Paraguai, por se tratarem de países em desenvolvimento, têm diante de si o desafio de, não apenas promover o desenvolvimento econômico, para gerar renda e emprego, mas também considerar os impactos negativos desse crescimento. A Itaipu contribui com diversos dos compromissos expressos no Acordo de Paris, sendo os principais:

  • A produção de energia limpa e renovável (para a produzir a mesma quantidade de energia gerada em 2016, seriam necessários 500 mil barris de petróleo por dia, cerca de um quinto da produção brasileira). 
  • A manutenção de mais de 100 mil hectares de áreas verdes que sequestram aproximadamente 5 milhões de toneladas de CO2 equivalente/ano. 
  • A promoção da recuperação de microbacias hidrográficas. São 217 microbacias atendidas, com 22 mil hectares de terraceamento e conservação de solos e 1.400 km lineares de matas ciliares recuperadas e protegidas. 
  • A redução das emissões da agricultura com a promoção de práticas sustentáveis, como a agroecologia e o plantio direto, que reduz emissões da agricultura. 
  • O incentivo ao aproveitamento de dejetos da pecuária (metano) para a produção de energia térmica, elétrica e veicular (biogás). 
  • A realização de diversas ações de educação ambiental nas comunidades do entorno. 
  • A promoção do cultivo de plantas medicinais, atividade econômica que preserva a biodiversidade da região. 
  • Itaipu emprega 100 veículos elétricos em sua frota. Nos últimos 10 anos, eles rodaram 836 mil  km e evitaram a emissão de 87 ton de CO2.

O JIE Publicou

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