Uso do álcool no trânsito: um grande perigo

Uso do álcool no trânsito: um grande perigo

15h58 - 26/09/2007

Mesmo em pouca quantidade, o álcool e as drogas provocam alterações no comportamento e na capacidade física de quem os consome, comprometendo a capacidade de conduzir um veículo com segurança.
O Código de Trânsito Brasileiro estipula que o limite máximo aceitável de concentração de álcool no sangue é de 0,6 g (seis decigramas) por litro de sangue. O infrator pode ter seu direito de dirigir suspenso, ter o veículo retido e vai pagar multa de R$ 574,61.

    


 

Em outros países, o limite é até menor, chegando a zero no Japão. As penalidades são muito severas porque a infração é gravíssima, expondo pessoas a grande risco. Pesquisa do Instituto Médico Legal de São Paulo revela que em cerca de 50% dos acidentes fatais ocorridos, existe o envolvimento de condutores ou pedestres alcoolizados (*). Se, além do consumo de álcool, fosse considerado o consumo de drogas legais e ilegais, essa porcentagem seria bem maior. 
    
    
Estatísticas em diversas localidades demonstram que o consumo de álcool está presente em cerca de 75% dos choques fatais de carros contra obstáculos fixos, como postes, muros, etc. (**). Além de ser uma das principais causas de mortes no trânsito, a presença de álcool e de drogas também agrava consideravelmente os ferimentos nos acidentes não fatais, responsáveis por muitas seqüelas permanentes.
     
    
O álcool e as drogas podem dar uma falsa sensação de segurança. A pessoa pode até se sentir mais esperta, mas na verdade:
    
    
• a capacidade de percepção de tempo, distâncias e velocidades está reduzida;
• a pessoa tem pouca ou nenhuma consciência de situações de perigo;
• ocorrem distúrbios visuais, a visão fica nublada;
• a capacidade de reação rápida diante de emergências é bastante reduzida;
• até em pouca quantidade, o risco de envolvimento num acidente aumenta 4 vezes.
    
    
E o pior de tudo é que a pessoa sob efeito de álcool não tem a percepção de que está alterada, negando que sofra qualquer alteração.
     
    
O único remédio é esperar o tempo passar. De nada adianta tomar café forte, fazer exercícios físicos ou tomar banho frio. O efeito de cada dose ingerida precisa de mais de uma hora para ser eliminado. É importante saber também que não existem medicamentos que previnam os efeitos do álcool na capacidade de percepção e reação.
Existem diversos fatores que interferem na taxa de álcool no sangue:
    
    
• a quantidade de álcool ingerida;
• a porcentagem de álcool da bebida;
• o peso da pessoa (em pessoas mais leves, a concentração é maior);
• a presença de alimentos no estômago, que absorvem mais rápido o álcool quando está vazio;
• o sexo da pessoa: mulheres atingem taxas de álcool no sangue mais altas;
• a raça: pessoas descendentes de algumas raças metabolizam o álcool mais lentamente, atingindo taxas mais altas;
• a velocidade da ingestão do álcool, que produz taxas mais altas quando é maior. 
    
    
Para exemplificar, 2 latas (350 ml) de cerveja bebidas em pouco mais de 1 hora, por um homem de 70 kg elevam sua taxa de álcool para próximo de 0,6g/l, que é o limite legal. Para as outras bebidas, pode-se utilizar a tabela abaixo, sempre considerando que ela é apenas indicativa e que, mesmo abaixo desse limite, o risco de envolvimento em acidentes aumenta muito.
Equivalência entre as bebidas(*):
    

Tipo de bebida/ volume médio de álcool medida usual Quantidade de álcool
Cerveja comum 4% 1 lata (350 ml) 14 ml
Cerveja forte 6% 1 lata (350 ml) 21 ml
Vinho de mesa 10% 1 taça (150 ml) 15 ml
Aperitivo 20% 1 dose (60 ml) 13 ml
Pinga 40% 1 dose (60 ml) 24 ml
Whisky 45% 1 dose (60 ml) 27 ml
Conhaque 48% 1 dose (60 ml) 29 ml
Licor 52% 1 cálice (30 ml) 15 ml
    
    

Lembre-se:
• cada um de nós pode colaborar para evitar acidentes de trânsito provocados ou agravados pelo consumo de álcool;
• nunca sirva bebida alcoólica a quem você sabe que vai dirigir;
• se você vai sair e sabe que vai beber, deixe o carro em casa: utilize ônibus, táxi ou carona, assim você não precisa procurar lugar para estacionar o carro, não precisa se preocupar com o aparelho de som que pode ser roubado e nem com o alarme de um carro disparado;
• num grupo de amigos, você pode sugerir que um de vocês seja aquele que não vai beber em cada noite;
• se você tem um bar ou restaurante, ofereça o serviço de transporte para seus clientes, assim ele poderá voltar muitas e muitas vezes;
• não beba antes de dirigir. 
    

 

Arq. Eli K. Vazzolla
Instituto da Mobilidade Sustentável - Ruaviva
    

 

 

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