Gazeta do Iguaçu

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09h13 - 14/09/2007

O combate à febre aftosa na fronteira entre o Brasil e o Paraguai será o tema central do encontro entre o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Reinhold Stephanes e o colega paraguaio Alfredo Molinas Maldonado.

    

Os dois se reúnem hoje a partir das 9h na Itaipu Binacional para avaliar os resultados das ações conjuntas dirigidas à proteção da sanidade animal e vegetal na região.

    
As metas traçadas em abril, também em reunião na Itaipu, e consolidadas em junho, em Assunção, incluem estratégias como a fixação de calendários comuns para a vacinação do rebanho, maior controle do trânsito de animais nas fronteiras, principalmente onde não existem postos de fiscalização fitossanitária, cadastramento das propriedades criadoras e monitoramento por meio de satélite.

    
Esta integração, afirmou Stephanes em entrevista ontem, é essencial no combate à aftosa e outras doenças que podem afetar os rebanhos do Brasil e do Paraguai. “A presença de qualquer foco nestas regiões acaba prejudicando a produção dos dois países. Para as doenças não existem fronteiras”, frisou.

    

 

 

“O que está sendo feito agora, graças ao bom relacionamento do diretor de Itaipu, Jorge Samek, com o governo vizinho, já deveria ter sido feito há muito tempo.”

    
Na primeira etapa de vacinação contra a febre aftosa este ano, o índice de imunização do rebanho de fronteira chegou a 99,55%. No total, 717.899 dos 721.144 animais espalhados por 21.662 propriedades receberam as doses da vacina.

    

O bom desempenho se deve, segundo o ministro, à maior conscientização dos criadores depois da identificação, em outubro de 2005, dos primeiros focos da doença no Mato Grosso do Sul e das restrições impostas ao gado paranaense.

    
Com o objetivo de garantir um controle mais efetivo da circulação do gado em toda a extensão de fronteira, outra ação destacada pelo ministro é o trabalho realizado pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI) no recadastramento das cerca de 4,8 mil propriedades rurais pecuárias localizadas na faixa de 15 quilômetros dos dois lados da fronteira e na identificação de cada animal.

    
Segundo o engenheiro agrônomo da Itaipu Cícero Bley, a próxima fase será a criação de um banco de dados com informações sobre cada um dos animais.

    
No Brasil, o cinturão de proteção se estende de Barracão, na Região Sudoeste, fronteira com a Argentina, até Marilena, no limite com o Mato Grosso do Sul. “Através de um software exclusivo e de um sistema de geoprocessamento por satélite será possível acompanhar toda a movimentação até o abate”, explicou.

    
“Estas são medidas que visam garantir ao Paraná e outros estados vizinhos o fim do embargo imposto há quase dois anos, quando a febre aftosa atingiu o Mato Grosso do Sul. Acreditamos que a certificação de área livre da doença seja novamente concedida até o final do ano”, projetou o ministro.

    

Uma missão formada por representantes da Organização Internacional de Epizootias (OIE) chega ao Brasil no dia 15 de outubro para conferir o sistema nacional de defesa e inspeção da sanidade animal.

    
Em maio, o estado vacinou 98,62% do rebanho, ou seja, 9,36 milhões dos 9,49 milhões de animais. Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, os patamares obtidos estão entre os melhores do país e reforçam o compromisso do estado no cumprimento das exigências internacionais de combate à aftosa e outras doenças.

    

Além do Paraná, estão restritas as exportações de carne em parte de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, o chamado Circuito Pecuário Centro-Oeste.

    

Desenvolvimento Rural     
Na pauta de discussões com representantes da FAO (agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação), do Banco Mundial, a secretária de estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção e Turismo do Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina Correa da Costa Dias, o secretário nacional da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Adoniram Sanches Peraci, estarão também outros dois temas ligados ao desenvolvimento rural sustentável: a produção de combustíveis alternativos, como o álcool e o etanol, e o suporte à agricultura familiar.

    
Em Foz do Iguaçu, Stephanes participa ainda de uma plenária com lideranças empresariais reunidas na 17ª Convenção Anual da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap).

    

Sobre a greve dos fiscais federais agropecuários, retomada no dia 28 de agosto, o ministro foi taxativo: “O governo já colocou todas as condições possíveis de negociação, e se não forem aceitas até hoje (ontem), prazo limite dado à categoria, retira as propostas e tomará as medidas que achar necessárias, e partirá para o confronto. Temos que colocar um ponto final nisso”.

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