É tempo de paquera no Refúgio

É tempo de paquera no Refúgio

15h45 - 10/09/2007


    
Com o início antecipado de temperaturas mais elevadas,  nos últimos dias o calor vem ultrapassando os 30 graus centígrados na fronteira - vários bichinhos do Refúgio Biológico já estão saindo da toca, literalmente. Principalmente pela manhã, os animais estão muito mais alegres e ativos do que há alguns dias, quando o inverno estava bastante rigoroso.  Com os termômetros em alta,  os animais estão entrando em clima de romance. E isso que a primavera ainda nem chegou.
   

Biguá, ave aquática do refúgio. A ave chama atenção por causa dos belos olhos verdes. 
    

A primavera é a melhor época do ano para a reprodução animal. A explicação é baseada no ecossistema: com as temperaturas mais altas, há mais oferta de alimento tanto para os carnívoros quanto para os herbívoros, e o ciclo fica completo. “Aumenta o número de insetos e de frutos, o que deixa os animais mais ativos e facilita a reprodução”, explica a assistente técnica Rosana Pinto de Almeida. 
        

Jacarés-de-papo-amarelo prontos para procriar.    
    


Nas estações mais quentes, os hábitos dos animais mudam e eles saem mais para passear e “paquerar”. Os jacarés-de-papo-amarelo, por exemplo, já se deixam ver tomando sol tranqüilamente à beira da água. Os macacos-pregos estão todos serelepes, correndo e pulando por todo o recinto. E as aves psittaciformes, ou seja, as araras, papagaios e maritacas, já estão ensaiando entrar nas caixas-ninhos preparadas pelos técnicos do Refúgio. As caixas foram montadas para simular o buraco que as aves costumam cavar em troncos de árvores para depositar seus ovos ( Na foto, arara vermelha).
    

Mas as famílias que os criadores mais torcem para que cresçam mesmo são a do tamanduá-bandeira e a da harpia (ou gavião real), pois ambas as espécies estão ameaçadas de extinção. 
   
 
Os técnicos torcem para que o tamanduá-bandeira, espécie ameaçada de extinção, possa procriar.     

Os tratadores do zoológico já flagraram o casal de tamanduás “namorando” e, se tudo der certo, esperam que nasça um filhotinho em meados de outubro.

Já a harpia (foto), que já botou ovos duas vezes, mas nenhum deles fecundado, este ano ainda não demonstrou sinais de acasalamento, mas a expectativa é grande.    
“Esperamos que da próxima vez dê certo. Acreditamos que antes o macho ainda era muito novinho”, conta Rosana.

 A harpia é uma espécie muito valiosa no mercado de tráfico de animais, e tanto o macho quanto a fêmea cuidados no Refúgio foram capturados em operações ilegais.

Como a primavera só começa mesmo no dia 23, ainda é cedo para tentar encontrar filhotes no Refúgio, mas em outubro e novembro já será possível vê-los por lá. E vale uma ressalva: os animais, nesta época, saem e passeiam mais, o que aumenta muito os riscos de atropelamento. Portanto, cuidado redobrado!
   

 

 

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