O mestre Paul se despede

O mestre Paul se despede

08h45 - 06/09/2007


Ele é conhecido como professor. E é fácil entender o porquê. O colega Paul (nome completo Luiz Gonzaga Paul) tem um currículo invejável, com vários cursos, de Letras e Filosofia a Direito. Amante da língua portuguesa, matéria central de seu magistério, organizou e coordenou o Serviço de Telegramática da Prefeitura de Curitiba. 
     
     
     
   
Por tudo isso faz jus ao título que carrega e não se cansa de estudar sempre mais nossa língua. Na Itaipu aprendeu a importância da diplomacia, que alicerça a binacionalidade da empresa. É alguém que preza a cultura como um de seus grandes valores.
O professor deixa um grande legado para nós. Mais que conhecimento, a disciplina, a perseverança, a ousadia e a alegria de viver: Faz três caminhadas e três natações por semana.
     
          

No coral, adesão imediata. Ao lado do colega Dieb Tannouri    
   
No mês que vem, Paul se despede da empresa. Vai se aposentar, mas não parar de trabalhar.  Na próxima fase, quer publicar o “Dicionário das Formas de Tratamento” em português, de 323 páginas e 347 verbetes. Resultado direto de mais de 20 anos de pesquisa, o livro foi concluído nos últimos seis meses, como seu PRA particular. 
   
Currículo
Luiz Gonzaga Paul é licenciado em Letras Clássicas (1958) e bacharel em Direito (1972) pela Universidade Federal do Paraná, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (Seção do Paraná). É diplomado em espanhol básico pela Universidade de Salamanca (Espanha, 1995).
Fez estudos seminarísticos, inclusive de Filosofia Pura e Teologia (1943-55), o primeiro ano do curso de Jornalismo (PUC-PR, 1959) e vários cursos e eventos extracurriculares.
    
Na empresa
Na Itaipu, trabalha desde 1992, sempre na Assistência ao diretor-geral brasileiro, em que presta serviços de secretaria (elaboração de textos). Tantos foram escritos e revisados que o professor não tem idéia da quantidade de correspondência feita durante esses 15 anos. Recentemente, na “limpeza” de despedida, diz o professor, "mandamos para o lixo de 4 a 5 quilos de roteiros de serviços de secretaria". 
   

Cada roteiro (papeleta em formato A5) correspondia a um expediente, como carta, mensagem, telegrama e outros. Ele lembra que, no início, quando foi contratado para trabalhar na ITAIPU, o volume era tão grande que precisava gravar os despachos com o Assistente do Diretor-Geral para depois elaborá-los com base na degravação.
Recentemente, voltou a uma atividade que ocupou boa parte de sua trajetória de vida: o voluntariado. Após dedicar-se ao Movimento Familiar Cristão no Paraná e no Brasil (MFC – 50 mil km percorridos no Estado na década de 1960) e ao escotismo (ajudou a criar a Associação Educacional S. Luiz de Gonzaga e com ela construir a sede do Grupo Escoteiro homônimo, em Curitiba, entre 1976 e 82), Paul é representante do grupo escolhido pelo Força Voluntário para realizar o projeto “EKOPUKU Tarumã”, traduzido “Vida longo ao rio Tarumã”.
   
Legado
Para a empresa, o colega deixa um núcleo de trabalho de sua especialidade na Assistência ao Diretor-Geral Brasileiro. “O mesmo que deixei nas outras organizações em que trabalhei – Copel, Badep e Casa Civil”, diz.
E o que leva Luiz Gonzaga Paul da Itaipu? “Apesar de já ter trabalhado numa empresa de energia elétrica, aprendi muito aqui, especialmente os aspectos da diplomacia, que o trato da binacionalidade exige”, comenta o professor. “Essa característica da Entidade obriga-nos a aguçar a sensibilidade e a exercê-la, sobretudo quando as questões são comuns às duas Margens”, conclui.
   
Música
O professor aprendeu a gostar de música desde quando era seminarista, já que o canto fazia parte da grade curricular. Na Itaipu, demonstrou essa paixão na imediata adesão ao coral. É um dos mais entusiastas coralistas.
Casado com Halina Paul, tem cinco filhos dos quais se orgulha e muito: João Luís de Gonzaga (médico); Dácio de Gonzaga (engenheiro mecânico); Fábio de Gonzaga (administrador); Maria do Carmo (pedagoga) e Marília de Gonzaga, (professora), os quais deram ao casal 9 netos. 
        
Experiência   
Também em Curitiba, trabalhou antes:
• na Prefeitura, pela qual foi convidado para organizar e coordenar (1984-92) o Serviço de Telegramática, que atende a consultas sobre língua e gramática portuguesas pelo telefone (41) 3218-2425. Com quase 25 anos, o serviço continua em pleno funcionamento;
• na Casa Civil do Governo do Estado do Paraná (1979-80), como diretor-geral, cedido pela Companhia Paranaense de Energia (COPEL). Depois, ainda na Casa Civil, criou e chefiou (1980-83) a Assessoria Técnica para secretariar o chefe da Casa Civil e o Gabinete do Governador, ocasião em que implantou o sistema de processamento eletrônico de texto “stand alone”. Entre outros trabalhos, coordenou a redação, revisão e editoração da obra “Pronunciamentos e Mensagens do Governador do Paraná – Ney Braga”, em 5 volumes, sendo um de índices remissivos;
• na Copel, pela qual foi convidado para organizar e gerenciar a Secretaria-Geral da Diretoria (1971-79); secretariou vários seminários e encontros patrocinados pela concessionária; foi gerente do Departamento de Pessoal (1971-72); coordenou a composição, editoração e reprodução gráfica do “Projeto de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica do Estado do Paraná” (5 volumes), apresentado ao BIRD (1978) para empréstimo de US$ 109 milhões, depois contratado;
• no Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. (Badep, 1964-71), por concurso, como secretário da Diretoria e do Conselho de Investimentos;
• na Biblioteca Pública do Paraná como diretor (1962-64);
• no Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário do Paraná, como secretário executivo (1961-63), o que lhe custou um inquérito policial militar na revolução de 1964;
• no Colégio Estadual do Paraná, como professor concursado de Português no ensino médio (1956-91) e em vários outros estabelecimentos de ensino de Curitiba, e
• no Diretório Acadêmico Rocha Pombo (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFPR – 1957-58), como vice-presidente e presidente.
    

Ministrou cursos de português, redação e correspondência empresarial nas seguintes organizações:
Itaipu (1996); Volvo do Brasil Veículos Ltda. (1992 e 95); Senac-PR (em turmas próprias e, por meio Senac, à ITAIPU, 1991, e à Refrigeração Paraná, atual Electrolux, 1994); Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC, 1989); Associação de Orientação às Cooperativas do Paraná (Assocep, 1988); Instituto de Administração Municipal (IAM), da Prefeitura Municipal de Curitiba (1986-88); Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Paraná (Emater-PR, 1987), de cuja assessoria resultou a publicação “Guia de Comunicações Administrativas Escritas”; Campanha de Aperfeiçoamento e Desenvolvimento do Ensino Secundário (CADES), do Ministério da Educação e Cultura (lecionando português e latim, 1967) e Departamento Estadual do Serviço Público do Paraná (1966).
     
Empreendeu e ministrou o Curso de Aprendizagem e Desenvolvimento em Redação (Cadr) para vestibulandos, em Curitiba (1978-91). Para esse curso, publicou “O processo psico/lógico da redação” (Curitiba : Editer, 1982) – obra aceita para publicação pela Editora Globo, de Porto Alegre, RS – e “Tenha a palavra” (Curitiba : ed. do A., 1989).
    
Atualmente, prepara a reativação de sua firma Texto Fax Comunicações S/C Ltda (em hibernação desde que entrou na Itaipu), cujo objeto é redação e revisão de textos e provas digitais e/ou gráficas, traduções e serviços assemelhados, antes por fax e agora via internet. Nela, abrirá site de aprendizagem e desenvolvimento em redação, à distância.

 

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