Na trilha da cidadania, o despojamento

Na trilha da cidadania, o despojamento

09h02 - 05/09/2007

Em Itaipu, existe uma legião de amigos e amigas que faz trabalho voluntário. E tem como premissa a generosidade. Gente que dedica parte de seu tempo a cuidar de quem necessita mais do que alimento: solidariedade. Cuidados que vão além de atender às necessidades básicas como saúde, educação, esporte.  E se preocupa com a cidadania de pessoas pobres. Hoje você vai conhecer  três instituições que fazem a diferença para famílias necessitadas do Porto Meira.          
Na região do Porto Meira, famílias necessitadas contam com o apoio de três instituições sociais: a AFA (Associação Fraternidade Aliança), a Fundação Charles de Foucauld e a Associação Comitê Ipiranga. As três são independentes juridicamente, mas têm sede no mesmo local e um objetivo em comum: dar melhores condições de vida às crianças, adolescentes e suas famílias. A AFA, a Foucauld e a Ipiranga realizam trabalhos complementares de educação, entretenimento, profissionalização e prevenção à saúde.
     
     
Para as meninas, atividades que despertam a criatividade.
      

Todas as atividades visam impedir que as crianças e adolescentes se envolvam com álcool, drogas e delitos. Além disso, ajuda na formação educacional e do caráter das crianças. Os pais também recebem apoio e orientação quanto à educação, criação dos filhos e relacionamentos interpessoais.
    

 
Quando não estão na escola, as crianças participam de atividades saudáveis.

    
No local, são atendidas 155 crianças, divididas em grupos de 0 a 6 e de 7 a 12 anos, na Brinquedoteca e na Escolinha. “Elas ficam na instituição no contra-turno da escola, para não ficarem na rua e, em contrapartida, praticam atividades saudáveis”, explica Antônia López González, voluntária e presidente do Comitê Ipiranga na Espanha e colaboradora em Foz do Iguaçu. 
    
           
Produtos artesanais feitos pelas mães das crianças atendidas.
    
Na entidade, também são oferecidas atividades para os pais, e a presença das mães é obrigatória pelo menos três vezes por semana, para acompanhar o desenvolvimento das crianças. As crianças e as famílias têm acompanhamento de assistentes sociais, professoras, pedagogas, psicólogas e auxiliar de enfermagem. “Temos resultados muito positivos”, comenta Antônia.


 Crochê e tricô significam também geração de renda. 

                 
As crianças de 0 a 6 anos chegam à instituição, na maioria dos casos, em estado de desnutrição. A elas é destinado um espaço chamado Brinquedoteca, onde, além de receber alimentação, elas participam de atividades lúdicas e educativas, aprendendo a interagir e conviver com as demais crianças. Às mães são oferecidas aulas de alfabetização e artesanato. 
   
      
“Além de estarem perto dos filhos e acompanhando seu dia-a-dia, elas aprendem uma atividade com que podem gerar renda, no futuro”, diz Suzane de Amorim, funcionária da AFA. Atualmente, cerca de 35 mães participam dos cursos. As peças produzidas artesanalmente são vendidas e a verba é revertida à instituição, para ajudar a manter as atividades. 
      

As crianças a partir de 7 anos praticam atividades esportivas, aprendem xadrez, artesanato e ainda recebem ajuda para fazer as tarefas da escola e aulas de reforço, quando têm dificuldades em alguma disciplina. As famílias participam de palestras, duas vezes por semana; às terças-feiras, a palestra é sobre saúde e prevenção de doenças e, às quintas-feiras, sobre temas diversos baseados em um cronograma anual. O espaço conta ainda com uma sala de vídeo, onde as crianças assistem a filmes educativos, refeitório, campo para a prática de esportes e uma capela para orações.
      

Além das crianças, os adolescentes também têm atenção das instituições. Um laboratório de informática e uma sala de costura estão sendo montados para oferecer cursos profissionalizantes aos jovens da região. Como o espaço é limitado, a princípio serão atendidos 150 alunos no curso de informática e vinte no curso de corte e costura – divididos em turmas. A Itaipu doou cinco computadores e o dinheiro para a compra das máquinas de costura – além de doar verba para a compra dos alimentos oferecidos às crianças. Os cursos devem começar em breve, assim que os espaços estiverem prontos.
      

Contudo, os programas estão atendendo no limite, pois o espaço e o número de empregados é pequeno – são apenas 18 pessoas, entre empregados e colaboradores. A diretora administrativa da AFA, Filomena Rubano, que é italiana, comenta que sempre existe uma lista de espera de outras famílias que se inscrevem nos programas. “Para nós é um prazer atender a comunidade, porque o resultado é visível. Se pudéssemos, atenderíamos mais pessoas ainda”, diz.
         

Além das atividades realizadas com a comunidade do Porto Meira, a atuação do Comitê Ipiranga vai além – esta é apenas uma das sedes do Comitê. Na Amazônia, por exemplo, há mais de 11 anos o Comitê Ipiranga forma agentes comunitários e patrocina o controle de epidemias na região, como a malária, hanseníase, tuberculose, parasitoses em geral e dermatologia sanitária. Com o uso de barcos-hospitais – devido ao difícil acesso, que só se dá pela água – os agentes de saúde se deslocam até as cidades e oferecem tratamento à população. “Nós oferecemos assistência técnica, material, curso de formação. Damos todo o apoio necessário”, conta Antônia López Gonzalez.
Até o início deste ano, era necessário alugar os barcos, mas em janeiro a instituição conseguiu comprar um barco próprio, com o apoio de instituições brasileiras e européias e do governo do Amazonas.
     

Para se manter, as instituições contam com verba vinda da Itália, da Espanha e de algumas doações privadas, além de convênios locais. Recentemente, a Prefeitura de Foz assinou um convênio com a AFA, repassando mensalmente R$ 9 mil. Mas, para manter todos os programas e deixar em dia as folhas de pagamento, é necessária uma verba mensal de aproximadamente R$ 22 mil. 
      

Todos os tipos de ajuda são bem-vindos, desde trabalho voluntário em oficinas, até doações de roupas, alimentos, materiais pedagógicos ou dinheiro. Quem quiser conhecer ou ajudar a AFA, a Fundação Foucauld e o Comitê Ipiranga, pode ir até o local, na rua Paulino Ferreira, nº 56, bairro Boa Esperança. O telefone para contato é 3527-2856. 

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