Arte da falcoaria é tema de curso no Refúgio

Arte da falcoaria é tema de curso no Refúgio

10h29 - 04/09/2007

 

 

    
Dentro da semana acadêmica das Faculdades Anglo Americano, um dos pontos altos das atividades extracurriculares foi o curso de falcoaria.

A parte prática, no Refúgio Biológico Bela Vista, teve a participação de 16 alunos (entre acadêmicos e profissionais ligados ao meio ambiente), que tiveram a oportunidade de aplicar as técnicas básicas de manejo das aves com um gavião carijó.
As aulas foram ministradas pelo médico veterinário Samuel David Ferreira (foto), um dos maiores especialistas em falcoaria do país. 
    

"A idéia desta semana acadêmica foi trazer para Foz cursos que tradicionalmente não estão disponíveis por aqui", explicou o coordenador do curso de Gestão Ambiental do Anglo, Joaquim Buchaim (foto).
   
O curso de ontem foi um resumo do programa de uma semana que Samuel ministra em Itaúna, no Espírito Santo. A ênfase não é a falcoaria desportiva, mas o uso das técnicas dessa arte milenar para melhorar a qualidade de vida de aves traumatizadas, machucadas, vítimas do tráfico de animais ou que foram criadas em cativeiros sob péssimas condições.
     

Marcos José de Oliveira, técnico do Refúgio Bela Vista, já freqüentou o curso de uma semana em Itaúna, com patrocínio da Itaipu. Agora, ele está aplicando as técnicas no tratamento das aves de rapina (corujas, gaviões e falcões) que fazem parte do plantel dessa unidade de conservação.
 "O curso atende a uma necessidade de manejo de todos os zoológicos e centros que recebem animais com problemas. Com as técnicas da falcoaria, é possível reabilitar essas aves e, quando possível, devolvê-las à natureza".
         

A estagiária Renata Carolina Fernandes Santos, do Refúgio, está trabalhando com essas técnicas desde julho, sob orientação de Marcos Oliveira. "Atualmente, tratamos oito aves dessa forma. Estou adorando. É uma experiência incrível!", contou.
    

         
Para os que tiveram uma iniciação à falcoaria com o curso de ontem, a aula estimulou a aprofundar os conhecimentos posteriormente. João Batista Francisco (à direita na foto acima), funcionário do setor de Hidrologia da Itaipu, é acadêmico de Ciências Biológicas e tem nas aves sua área de maior interesse.
"Foi uma oportunidade de aprender sobre os falconídeos com um dos maiores especialistas do Brasil", comemorou.      
          

A médica veterinária Luciana Chiyo, do Zoológico Bosque Guarani, disse que, até então, sabia pouco sobre a falcoaria.
 
"Pretendo usar essas técnicas no campo da educação ambiental e melhorar o bem-estar das aves que não podem ser soltas na Natureza", afirmou.

     
Curiosidades
    
A parte prática do curso de falcoaria consistiu em demonstrar o uso dos equipamentos e dar dicas de como lidar com diferentes tipos de aves de rapina. 
Entre outras habilidades, um falcoeiro deve desenvolver trabalhos em couro, para confeccionar seus próprios apetrechos. O primeiro deles é o capuz, que deve ser usado somente com os falconídeos de maior porte, que são muito sensíveis aos movimentos.
    
    

    
O item fundamental é a luva, feita com diferentes tipos de couro, feita de acordo com a espécie com que se vai trabalhar. Para aves de menor porte, pode-se empregar um couro mais macio e maleável. Já pássaros como a águia dourada, a harpia e outras que têm garras mais poderosas demandam um revestimento de alta resistência. Outros acessórios indispensáveis são os braceletes, a correia, a trela e o distorcedor, utilizados para prender o falco à luva ou ao poleiro.
     

Mas o mais importante é a atitude em relação à ave. Para pegá-la, o falcoeiro deve se dirigir de forma precisa, sem vacilos. Em nenhum momento deve dar a impressão de insegurança. 
"Caminhar com o falco (a ave) é como carregar uma caneca bem cheia de água, sem derrubar uma gota. Tem que amortecer todos os impactos. E a cauda tem que ficar sempre na direção do vento", ensinou Samuel.

   

    
    

Se necessário, para desestressar o animal, basta erguê-lo a um nível acima da cabeça, dando-lhe uma posição de domínio. E não se deve, nunca, tratá-lo como um bicho de estimação. "É fundamental respeitar a natureza selvagem das aves de rapina", completou o falcoeiro.

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