InvestNews

InvestNews

10h49 - 30/08/2007

 
Empresas vêem na cogeração mais uma opção de lucros, junto com o álcool e o açúcar. A biomassa tem condições de adicionar ao sistema elétrico brasileiro, até 2020, cerca de 20 mil megawatts (MW), ou seja, o equivalente a duas hidrelétricas como Itaipu, segundo estudos desenvolvido por especiliastas do setor. Isso contribuiria acentuadamente para suprir a crescente demanda por energia no País.

De olho nesse mercado, muitas empresas estão elegendo a biomassa como uma atraente oportunidade de investimentos. Um dos mais recentes investimentos no setor é o da Usaciga Açúcar, Álcool e Energia Elétrica S.A. que destinou como aporte inicial, R$ 60 milhões para seu plano de expansão em geração elétrica. Além disso, estão destinados a projetos nessa área mais US$ 130 milhões repassados através da jount-venture com a Clean Energy Brazil.

"O açúcar sempre foi nosso foco. Agora, optamos pela cogeração porque é uma fonte importante e vai nos garantir benefícios financeiros. Esperamos para este ano aumento de 10% de nossas receitas. Se não fosse assim, não colocaríamos a cogeração à  frente de nossos negócios", garante Dario Costa Gaeta, diretor superintendente da Usaciga.

Com a queima do bagaço da cana-de-açúcar, numa primeira etapa serão gerados 40 megawatts hora (MWh) de energia elétrica. Deste total, pelo menos 32 MW/h serão comercializados dentro do Programa de Incentivo à s Fontes Alternativas de Energia (Proinfa) do governo federal. "Este será um item mais que necessário para rede elétrica brasileira porque vai contribuir para contemplar o período de seca das hidrelétricas", explica.

A quantidade de energia gerada pela Usaciga será suficiente para abastecer uma cidade com mais de 100 mil habitantes. Com este novo sistema de cogeração, a produção de cana-de-açúcar para 2007/2008, está estimada em 2,5 milhões de toneladas, aumento de 20% da capacidade de moagem. Atualmente, a usina produz por dia, 360 mil litros de álcool, 11 mil sacas de açúcar e o aproveitamento da palha é de 99%.

A Usaciga foi criada na década de 80 e tem controle acionário dividido entre a Agrocana (família Baréa, com 51%) e Clean Energy Brazil (49%). A usina emprega atualmente 2,6 mil funcionários diretos. Em 2006, exportou 75% de sua produção de álcool e açúcar. Além da usina de Cidade Gaúcha, (Norte do Paraná), atualmente em funcionamento, outras três (duas no Paraná e uma Mato Grosso do Sul) estão em fase de projetos com previsão de inauguração para até 2010.

No Brasil, a biomassa é responsável por cerca de 30% da oferta interna de energia. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), expectativa inicial para a colheita nacional de cana-de-açúcar, está estimada em 528 milhões de toneladas na safra 2007/2008 representando crescimento de 11,2% em relação à  safra anterior, de 474,8 milhões de toneladas.
A área ocupada no País com cana é de 6,62 milhões de hectares (10% da área plantada), correspondendo a aumento de 7,4% quando comparada com a mesmo período de 2006. A maior concentração está na região Centro-Sul, que deverá responder por 462 milhões de toneladas. A Norte-Nordeste, 66 milhões de toneladas. A produção de álcool nesta safra será de 20 bilhões de litros, aumento de pouco mais de 14% quando comparada com 2006.

Potencial do bagaço

O professor e consultor de energia nuclear, Roberto Hukai, da Universidade de São Paulo, é da opinião que além de produzir o açúcar e o álcool, o bagaço da cana-de-açúcar tem capacidade para gerar energia elétrica o equivalente a mil reatores nucleares. "Porém, é preciso que os empresários esclarecidos não usem isso para invadir áreas como a floresta amazônica", afirma.

Versão para impressão