Samek descarta risco de "apagão"

Samek descarta risco de "apagão"

15h47 - 27/08/2007
 
O diretor-geral brasileiro, Jorge Samek, disse nesta segunda-feira em Curitiba que, a despeito do crescimento vigoroso da economia, o Brasil está livre do risco de um apagão no setor elétrico.
 
Samek assegurou a 4 mil produtores rurais reunidos no evento Cenários e Perspectivas da Agropecuária, promovido pelo Sistema Faep e pelo Sebrae em Curitiba, que os investimentos do governo federal e da iniciativa privada em geração e transmissão de energia serão suficientes para assegurar o abastecimento do país ao longo das próximas décadas.
 
“Estamos em condições inclusive de exportar 1.200 MW para vizinhos como a Argentina”, afirmou. Neste ano, observou Samek, a demanda do Operador Nacional do Sistema pela energia da Itaipu diminuiu 3,4%, embora a hidrelétrica disponha de duas novas unidades geradoras e tenha água em abundância no reservatório.
 
“É o indicador de que, apesar de a economia estar em franca expansão, nossa situação é confortável e, com as obras do PAC, vai se tornar ainda mais segura.”
 
A favor do álcool
Samek aproveitou o evento para convocar os produtores rurais paranaenses a colaborar na diversificação da matriz energética brasileira, por meio da produção de álcool. E contestou o raciocínio de que o plantio de cana-de-açúcar e outras fontes de biocombustíveis reduz as áreas destinadas ao cultivo de alimentos.
    
 
“É um falso dilema que infelizmente encontra repercussão dentro do próprio Brasil. Só temos a ganhar com os biocombustíveis. A questão da fome é decorrente da precária distribuição de renda brasileira, não pode ser jogada nas costas do produtor rural”, advertiu.
 
Geração distribuída
O diretor-geral da Itaipu apresentou ao público o projeto da hidrelétrica de estímulo à geração distribuída, que produz energia a partir do aproveitamento de biomassas residuais de esgotos animais e humanos.
 
A geração distribuída elimina os custos de transmissão, pelo fato de os biodigestores estarem instalados junto aos consumidores, e ainda representa uma fonte de renda para o produtor rural, que pode vender o excesso de produção para a Copel. A região Oeste do Paraná, onde está localizada Itaipu, é a maior produtora de aves e suínos do Brasil.
 
“Ganham o meio ambiente, que fica livre dos resíduos, e o produtor rural. O potencial desta alternativa é gerar energia equivalente à produção da Itaipu”, destacou Samek, que lembrou também a relevância dos investimentos em tecnologia para o agronegócio.
 
Exportando tecnologia 
“Na agricultura, todos nós sabemos da importância das pesquisas de instituições como o Iapar. Na Itaipu, criamos o nosso parque tecnológico, o PTI, que hoje fornece tecnologia para projetos como o da geração distribuída”, disse o diretor-geral, lembrando que a usina binacional foi convidada pelo governo chinês para fazer a manutenção das unidades geradoras da hidrelétrica de Três Gargantas, projetada para ser a maior do mundo.
 
“Estamos exportando conhecimento para os chineses. É o caminho que a nossa agricultura deve seguir.”
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