O conforto longe de casa

O conforto longe de casa

15h29 - 24/08/2007

Não há conforto maior para um forasteiro que encontrar num país estranho alguém que tenha passado pelos mesmos caminhos. Você estudou a poucas quadras de onde morei a maior parte da minha vida.  Passava na estrada das Lágrimas, fez compras no Joanin, tomou umas no Santista, talvez tenha comido a pizza do Grupo Sérgio... São Caetano e Rudge Ramos. Que saudades de casa, da mãezinha esperando com a comida pronta... Quando cheguei aqui, você me recebeu de braços abertos, não como um gerente que recebe um novo funcionário, mas como uma amiga que a gente não vê há algum tempo.

Quando você se aposentar, tudo vai ser diferente, não vai?  Como não é precioso aquele pozinho das escavações que sobrou num cantinho da redação, trazido por seus sapatos. Quantos saltos arranhados nas pedras da barragem até chegar na cadeira de gerente.  Nem que eu quisesse poderia acumular em 20 anos de trabalho aqui a experiência que você acumulou, as milhas que você correu para chegarmos todos aqui. Você transpôs muitas barreiras que nós não teremos que transpor, está tudo pronto.

E que honra, que responsabilidade, que medo ficar aqui e carregar essa bandeira.  Só fico mais sossegado quando olho para o lado e vejo o Caio, a Patrícia, o Cláudio e o Vinícius.  Temos que seguir em frente, sem você por perto. Sentirei sua falta, patroa, mas vai, descansa tranqüila que a gente cuida da casa. 

Texto de Alexandre Marchetti.

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