Técnica troca sensores das unidades

Técnica troca sensores das unidades

15h21 - 24/08/2007


 

Uma das etapas da manutenção, que faz parte da modernização da usina, é a troca dos sensores de temperatura tipo bulbo pelos do tipo RTD. Se você não sabe do que se trata, calma, a gente explica.
Os sensores medem a temperatura do óleo dos mancais do gerador e turbina, do metal dos segmentos do próprio mancal. 

O mancal é um conjunto de segmentos metálicos que suportam as cargas e os esforços mecânicos do conjunto girante da máquina. 
“Existem três conjuntos de mancais que suportam as cargas e os esforços do conjunto: o mancal guia superior, que suporta os esforços no eixo superior; o mancal guia inferior, no gerador, e o mancal guia da turbina, no eixo da turbina. Existe ainda um mancal que suporta as cargas e os esforços axiais, como por exemplo o peso do conjunto girante – aproximadamente 2.500 toneladas –,  é chamado de mancal de escora”, explica o engenheiro Cleber de Souza Pimenta.

Antes de fazer a troca dos sensores, é preciso esvaziar 30 mil litros de óleo da cuba.

Os mancais ficam localizados em recipientes (cubas) parcialmente submersos em óleo. O conjunto de segmentos do mancal guia inferior e do escora, está montado  na mesma cuba de óleo e por isso é chamado mancal combinado (mancal guia  inferior + mancal de escora). Para “encher” a cuba do mancal combinado, são necessários aproximadamente 32.000 litros de óleo. 
Nos mancais guia superior e combinado existem 16 segmentos e no guia da turbina, 12. A lubrificação desses segmentos é feita por óleo, que é resfriado constantemente por trocadores de calor. 

“O trocador de calor funciona mais ou menos como um radiador de carro: o óleo entra bem quente, por algumas passagens, e é resfriado pela água que circula em tubos adjacentes; ao sair, o óleo está com uma temperatura mais baixa, que além de lubrificar resfria o metal”, explica o técnico especializado em mecânica, Cleudenei José Marafigo.

Para assegurar que este processo esteja acontecendo corretamente, a temperatura do óleo e dos segmentos deve ser constantemente supervisionada e os sensores devem medir com exatidão. A temperatura ideal do óleo é entre 48°C e 50°C, e a do metal só  deve variar, normalmente, entre 55°C e 65ºC para os segmentos dos mancais guias e entre 80ºC e 85ºC para os segmentos do mancal escora.


Relês antigos, retirados da unidade 3.

“Os sensores antigos, os relés de temperatura que mediam por meio de bulbos, já não ofereciam mais tanta segurança. Por isso, estão sendo substituídos pelos RTDs. O funcionamento do relé antigo se dá por meio de um tubo chamado capilar, cheio de gás mercúrio: conforme o gás aquece e se expande, faz o capilar mover o ponteiro, que aciona contatos elétricos quando atinge a temperatura limite. 

Sensor com RTD, que envia automaticamente os dados para um painel externo, o GGB.

O painel GGB traz, além dos dados dos sensores, informações sobre nível do óleo, vibração da turbina e quando há umidade excessiva do gerador.

Já o novo sistema com  RTD (sigla em inglês de  Detetor de Temperatura Resistivo) é composto de sensor resistivo e módulo eletrônico: o sensor envia o sinal ao módulo, que o converte automaticamente em temperatura. 


“Estas informações, além de mais  seguras e confiáveis, aparecem em um painel externo à máquina, evitando, assim, que o técnico tenha que entrar no compartimento – com a máquina ligada – para, eventualmente, conferir algum dado”, demonstra o técnico especializado em elétrica Paulo Henrique Nóbrega. O trabalho é bastante complexo e requer muita atenção do pessoal envolvido. 

“Nós precisamos conhecer o trabalho, conhecer bem a equipe, e cuidar da segurança do pessoal e do equipamento”, complementa. Todas as ferramentas levadas para dentro da máquina, para a manutenção, são devidamente listadas para serem conferidas na saída. Nada pode ser esquecido lá dentro, caso contrário  poderá causar um dano muito grande no equipamento.

Este processo de troca dos sensores dura, em média 7 dias úteis e conta com uma equipe de 10 pessoas; dois técnicos especializados responsáveis e mais oito técnicos mecânicos e elétricos. O trabalho é sempre executado pela Divisão de Manutenção Mecânica de Unidades Geradoras em conjunto com a Divisão de Manutenção Elétrica de Geração.

Na sexta-feira, foi concluída a instalação dos RTDs na unidade 3. O trabalho de troca dos sensores começou em 2005 e, até o final deste ano, todas as unidades geradoras já devem estar operando com o RTD. 
“Agora, só estão faltando as unidades 10, 11 e 13”, comemora Marafigo. 

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