Dôra: uma brasileira

Dôra: uma brasileira

14h53 - 24/08/2007

 

Em minha vida de repórter, Itaipu sempre esteve entre meus namoros, mas jamais sonhei que viraria casamento. Mas isso acabou ocorrendo em outubro de 1995, quando o Dr. Euclides Scalco, um grande amigo, me convidou para assumir a Comunicação Social da binacional. Conhecia Itaipu “por fora” e saí quase onze anos depois, com o nítido sentimento de que foram meus melhores anos de vida como jornalista. Isso ocorreu, porque aprendi a conviver com a alma dessa empresa, sua gente. Nesse panorama de conquistas e convívio diário, duas figuras foram preponderantes: Edna Maria Carvalho e Maria Auxiliadora Alves dos Santos, a Dôra.


Dôra, Euclides Scalco, Edna e HT.



A primeira, gerente de Relações Públicas que deixou a empresa junto comigo, no final de julho de 2006, e a Dôra que agora está tomando o mesmo caminho. Doze anos atrás, não havia o marketing do “gênero”, como passou a ocorrer a partir de 2003, mas me orgulho de ter sido o primeiro superintendente da IB a ter duas mulheres como gerentes.

Me recordo que, ao assumir, Dôra estava de férias e eu aguardava ansioso para conhecê-la. Ao aterrissar das férias, chegou ela com aquele sorrisão encantador, com seu estilo “mãezona” de contornar problemas pessoais e profissionais dos que a rodeiam. Não faz rima, mas a Auxiliadora do seu nome retrata perfeitamente o comportamento afável, carinhoso, aconchegante e profissional junto aos gregos, troianos e baianos
da Imprensa e arredores que ela passou a comandar a partir de setembro de 1996.

A ela e seu grande time, Itaipu deve o papel inovador dos jornais que nasceram e se criaram nos últimos anos. Desde os tempos da IBM, onde o JIE tinha apenas textos, até sua moderna cara atual, junto com o JIM, que foi levar informação a quem trabalhava nos labirintos da Usina, quase anônimos e sem computador. 

Ela formou um quadro de correspondentes em todas
as áreas da empresa, tornando os dois veículos verdadeiramente interativos. Com Cláudio Dalla Benetta, Vinicius Ferreira, Patrícia Iunovich, Caio Coronel e Nilton Rolin, além de acadêmicos de jornalismo que por lá passaram, bateu-se e bate-se um bolão no jornalismo empresarial e fora dele.

Debaixo da sisudez do DGB Scalco, numa reunião desse time, criamos o primeiro colunista social afetado do jornalismo empresarial do mundo, o Alberto Henriques, para os íntimos, o AH.

Nos matávamos de rir com esse personagem fictício que
estreou querendo mordomias inenarráveis na Vila B para
morar em Foz, causando profunda irritação e revolta na ala,
digamos, mais socialista da empresa. Mesmo com sua infinita paciência e bom humor, Dôra chegou a  temer algumas alucinações do colunista, um polemizador.  O AH foi suicidado, uma pena. 

Dôra e eu também toureamos boas aventuras com o chamado “jornalismo de resultados” praticado por notórias figuras que pensam e agem atrás do vil metal, não da notícia. Não foi fácil, mas fomos aprendendo a evitar curto-circuitos. E lá fomos nós cultivando água boa, com muita responsabilidade social, batalhando pela boa imagem da maior do mundo. É verdade que uma vez, na época do Jornal de Itaipu impresso, pensei numa materiona sobre o que aconteceria no Brasil se Itaipu fosse paralisada. Dôra, com paciência, perguntou se eu estava querendo matar a área Técnica do coração. Como sempre me dei bem com a engenheirada, esqueci.

A boa alma de Dôra não se restringiu ou se restringe ao companheirismo no trabalho, se alarga na periferia de Foz em ações nunca alardeadas como suas meditações sob madrugadas estreladas.

É difícil narrar detalhes do longo e bom tempo em que a tive sempre próxima, me segurando em meus ímpetos, me empurrando nas indecisões, me ajudando nas dúvidas. O perfil descrito no texto da jornalista Patrícia Iunovich  que fala sobre a trajetória sobre a Dôra, revela a vida de uma brasileira.  Cordial, elegante, humilde, bem-humorada, profissional. Mas quem a conhece, acrescenta: Dôra é uma brasileira inigualável.


(*)
Helio Teixeira é ex-superintendente de Comunicação Social.

 

 

 

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