Dôra: uma carreira de sucesso

Dôra: uma carreira de sucesso

14h34 - 24/08/2007

 


 

O jornalismo tem muitas possibilidades e caminhos. Muitas vezes o que nos move nessa profissão é a ilusão dos tempos de faculdade - a vontade de mudar o mundo, a paixão exagerada, o fascínio de escrever sobre todo tipo de assunto.

Como todas as profissões, tem suas compensações, tem lá suas frustrações, mas nos coloca numa posição privilegiada. Nós exercemos uma forma de poder. Cabe a nós decidir de que forma usá-lo.







Talvez a jornalista Maria Auxiliadora Alves dos Santos tenha
escolhido um caminho menos glamouroso na área, mas nem por isso menos gratificante: o da comunicação interna. Ela estava ainda no primeiro ano do curso de Jornalismo no Instituto Metodista, em São Paulo, quando passou a colaborar no jornal “Kolynos Informa”, do Laboratório Anakol, onde trabalhava como secretária no setor de Segurança.
Desafio
Na época com 17 anos, Dôra tinha sérias restrições ao jornalismo empresarial – atitude típica da maioria dos estudantes no início de curso.
“Via apenas como chapa branca”, diz. Mas uma conversa com a psicóloga da área de Recursos Humanos a fez mudar de idéia.
“Você não pode marginalizar esse público”, disse a psicóloga.
E lançou o desafio para a acadêmica: fazer do jornal interno um meio de comunicação mais próximo para o empregado e empregada da empresa.
(Na foto acima, Dôra na Kolynos/Anakol, onde participava do primeiro jornal de empresa. A foto foi feita pela colega do RH Lilian Bedini, competente e sensível profissional, até hoje amiga da jornalista).

 Desafio aceito. Em pouco tempo, Dôra passaria a ser responsável pelo jornal interno “Ah! Notícia” da multinacional (lembra da propaganda do sorriso Kolynos?), agora um jornal repaginado e com mais espaço para o empregado ser notícia. Antes, o informativo publicava apenas dicas de segurança.
O jornal atendia um público considerável: 2.500 empregados e empregadas. A visão de Dôra sobre comunicação interna em pouco tempo mudaria, e o jornal passaria a ser uma de suas grandes paixões.

         
A primeira experiência em comunicação interna: o jornal interno Ah! Notícia.

 

Ali, ela teve a oportunidade de colocar em prática os conceitos da comunicação interna – com pesquisa de clima organizacional e promoção do empregado, transformando o anônimo em notícia. Nesse período, ajudou a fazer o livro Operário Padrão, que homenageava os empregados. Começou a freqüentar gráficas para a impressão do informativo e escrever o editorial do jornal.
 
Foram dez anos acumulando experiência em assessoria de imprensa. Mas a jornalista sentia que precisava vislumbrar outras possibilidades.
“Eu queria trabalhar numa redação de jornal diário, mas tinha medo porque não podia me dar ao luxo de me aventurar. Ao mesmo tempo, isso me frustrava", conta.
Dôra ajudava a mãe, dona Ziza, uma mulher batalhadora da qual ela se orgulha e muito, no sustento da casa, mas chegaria um dia em que ela não conseguiria conter a vontade de “correr o trecho” e ser jornalista de fato.

Na foto, feita no apartamento em São Bernardo do Campo, ela e dona Ziza, sempre grudadas.

Essa possibilidade ela encontrou em Foz do Iguaçu, numa viagem de turismo. Com o currículo debaixo do braço, aproveitou o tour pela cidade para fazer um tour também pelas redações. Na TV Tarobá (Bandeirantes) trabalhava a Dinacyr Terezinha Oro, a Dina, hoje gerente da TV Cataratas. Receptiva, Dina avisou a jornalista que a Folha de Londrina abriria uma sucursal em Foz a qualquer momento, e entraria em contato com ela quando isso acontecesse.

Seis meses depois, a Folha se instalava em Foz. E, num rompante, a jornalista trocou a estabilidade do emprego numa grande empresa para trabalhar numa redação diária. Não foi uma decisão fácil. Era também a primeira vez que ela deixava a mãe para morar sozinha. “Eu fiquei três dias chorando sem parar e não conseguia desfazer as malas”, lembra.

Vida de repórter
Dôra foi a primeira repórter da sucursal da Folha de Londrina em Foz do Iguaçu. “Tempos difíceis aqueles”, recorda. A jornalista tinha que cobrir os eventos de ônibus e, como ela sempre costuma repetir, teve que “amassar muito barro”. Muitas ruas nem eram asfaltadas. Nas coberturas de eventos nos hotéis, recorda, rindo, tinha que correr para o banheiro e limpar os sapatos – sempre cheios de pó ou barro.


Como repórter de jornal diário aprendeu muito. Cobria todo tipo de pauta: de agricultura à polícia.
“Foi uma grande escola”, diz. Mas a vida de repórter não tinha nada de glamour. Ao contrário.

O corre-corre, a cobrança do editor, o salário baixo começaram a pesar. Para compensar o baixo salário, Dôra passara a acumular dois empregos: meio expediente na Folha de Londrina e meio expediente na TV Naipi.

A pressão começou a aumentar. A Folha cobrava matérias de cunho mais investigativo e Dôra preferiu não trilhar esse caminho.
Uma de suas grandes reportagens foi a inauguração da usina de Itaipu (20 anos depois ela acompanharia a conclusão da usina, como gerente de Imprensa). 
 
Uma nova oportunidade
Durante a cobertura da inauguração de Itaipu, Dôra conheceu Rubens Nogueira e João Carlos de Souza Lambac, que praticamente a convidaram para trabalhar na área de Relações Públicas. Pelos dois ex-chefes, guarda até hoje o carinho e a gratidão pela oportunidade. Na época, trabalhava no setor o jornalista Vinicius Ferreira, que hoje faz parte da equipe da Divisão de Imprensa e se tornaria um grande amigo. (Na foto à esquerda, com Lambac, o grande responsável pela vinda de Dôra para a Imprensa. Na foto à direita, com Rubens Nogueira, o primeiro a acreditar no potencial de Dôra).

 
A credibilidade que conquistou rendeu a Dôra um convite para escrever o prefácio do livro de Rubens Nogueira.

A primeira função foi trabalhar no atendimento especial ao visitante - levar jornalistas e turistas para conhecer a usina. “Era muita responsabilidade. Acompanhava desde autoridades a grupos de militares para conhecerem a hidrelétrica”, conta.
(Nas fotos, o começo de tudo, quando Dôra fazia atendimento aos turistas).

Numa dessas vezes, ela levou o americano Philip Glass – um dos mais influentes compositores do final do século XX- e o teatrólogo Gerald Thomas para uma visita noturna à usina. No dia seguinte, a visita dos dois era manchete principal na Folha de S. Paulo.
Dôra passaria então a colaborar com o “Canal de Aproximação”, o primeiro jornal de Itaipu. 

O caminho de volta
A saudade da mãe, dos amigos e de São Paulo começou a apertar e Dôra fez o caminho de volta. Pediu transferência para o escritório da capital paulista, mas para isso teve que abrir mão da assessoria de imprensa.
Lá, trabalhou na área administrativa. Depois de dois anos, o escritório fechou e a jornalista foi chamada para trabalhar em Curitiba. No Edifício Parigot de Souza lia os jornais para fazer sinopses e colaborava com o jornal "Canal de Aproximação".
Logo apareceria uma vaga em Foz do Iguaçu, para substituir o colega Vinicius Ferreira, que deixava a empresa. O gerente na época era  Luis Guilherme Siqueira (foto). Seis anos depois, Dôra assumiria seu cargo).

Pouco tempo mais tarde, assumiria a Superintendência de Comunicação Social o jornalista Hélio Teixeira, que trouxe um novo olhar para a assessoria de imprensa.
HT convidou o jornalista Joel Sampaio para trabalhar e promoveu Dôra a gerente da área. “Com toda sua bagagem jornalística, Hélio trouxe uma visão diferente. A assessoria era muito chapa-branca e o HT quebrou esse gesso. Mostrou uma forma diferente de relacionamento da assessoria com a imprensa e deu o grande salto de qualidade da comunicação interna de Itaipu”, comenta. E acrescenta: “Hélio deu um ressignificado à assessoria de imprensa. Ele trouxe a prática do jornalismo diário para a comunicação interna, o que fez toda a diferença”, diz Dôra.

(Na foto, HT e Vinicius Ferreira).


Em dez anos como gerente de Imprensa, Dôra diz que teve muitas alegrias. Entre as principais, participar da criação do JIE e do JIM - veículos premiados em diversas categorias, entre elas regional e nacional.
Mas, ainda mais importante do que os prêmios, é a gratificação de participar de dois projetos editorais que têm como premissa básica a valorização do empregado.
“Não existe satisfação maior do que transformar o anônimo em notícia e vê-lo realizado”, diz.
(
Na foto, com o estagiário Dalmon Benitez, Mara Mariza Leal, dona Ziza e Conceição).
 

Primeira grande conquista como gerente de Imprensa: um prêmio nacional para o Jornal de Itaipu.

 
No Coral de Itaipu: em seu primeiro solo, Dôra homenageou seu falecido pai, João Alves, com a música "Gente Humilde".

 


Dôra e a turma do JIE, no aniversário dela em 2005. 


Uma sobrevivente
Poucas pessoas conseguem traçar um caminho de tanto sucesso. Desde muito pequena, Dôra teve que lutar pela sobrevivência. Aos 12 anos, trabalhou como jornaleira – na banca da tia Manoelina, a tia Dadá – em São Caetano do Sul (SP), em troca do aluguel da casa. Foi nesse universo entre jornais e revistas que Maria Auxiliadora descobriu a vocação para ser escritora. Ou jornalista.
“Adorava escrever poesias. Tinha um caderno cheio de anotações”, conta. Mas o sonho teve que ser adiado. Antes de entrar para a faculdade de jornalismo, Dôra trabalhou como bancária. (Na foto acima, com a mãe, a dona Ziza, grande escola para Dôra. Mulher forte e corajosa, garantiu  formação religiosa para a filha em boas escolas).

Entrou no banco com a ajuda da Tia Maria Lourdes - a quem ela chama de Fada Madrinha, a segunda mãe do coração. Trabalhou no setor de cobrança até chegar à chefia (Na foto, com Fada Madrinha e Patrícia Iunovich).
 

Na época, sonhava em trabalhar numa multinacional. Acreditava que essa seria a grande salvação para escapar das dificuldades financeiras. A Anakol resolveria em grande parte esses problemas. Mas a realização profissional exigia outros vôos.

Nova etapa

Perto de completar 40 anos de trabalho e 20 deles na Itaipu Binacional, Dôra está se aposentando. E está nostálgica por isso. E nem poderia ser diferente. Afinal, a jornalista sempre pautou sua vida pela emoção. Costuma brincar que seu slogan é ética, bom humor e solidariedade. “Nunca abri mão de alguns valores, como a espiritualidade, o que aprendi com minha mãe. E sou uma otimista por natureza”, se define. Agora, Dôra passa a gerência para o amigo Cláudio Dalla Benetta, o que para ela é uma grande honra. (Na foto, Cláudio, Dôra e Gilmar Piolla, superintendente de Comunicação Social).

 
Edna Carvalho, Dôra e Ana Maria.


Dôra se sente uma vitoriosa. “Tive uma vitória atrás da outra e sou muito grata por tudo que conquistei”, diz. Além dos amigos da Imprensa, outras três pessoas foram fundamentais para acolhida dela na empresa: as amigas Conceição Aparecida Ariano Moe, Ana Maria Gabriel Paes de Andrade e Edna Carvalho. 

 

O maior legado
Para Dôra, o maior legado é
ter participado da história de Itaipu como jornalista e poder colaborar com a história da evolução da área de Comunicação Social da maior usina do mundo.

Nas duas últimas décadas, mais especificamente nos últimos 10 anos, a Assessoria de Imprensa deu um salto qualitativo e revolucionou a comunicação dentro da IB. Primeiro com Hélio Teixeira, depois com Gilmar Piolla. Com a entrada do Piolla, diz a colega, a Comunicação se modernizou ainda mais. Com sua vasta experiência em mídia eletrônica, o jornalista modernizou ainda mais a internet, JIE e JIM que, recentemente passaram por
mudanças estruturais, facilitando o processo de comunicação interna de Itaipu. Para mim, é uma gratificação ter trabalhado com profissionais tão qualificados, diz Dôra.
 

 

Trabalho em equipe
Dôra reconhece: esse trabalho só foi possível graças ao respaldo que recebeu do pessoal da Divisão de Imprensa, “uma equipe altamente profissional e responsável”.
"Tenho certeza de que ser um bom profissional é importante, mas ser ético e solidário é imprescindível. E isso eu pude constatar com a equipe de Comunicação”, se emociona.
(Na foto à esquerda com o amigo Caio Coronel, o incansável fotógrafo. À
direita, Dôra, Heloisa Covolan e HT, na cerimônia de entrega do prêmio do JIE).

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