Vigilantes viram fotógrafos amadores da natureza na Itaipu

Vigilantes viram fotógrafos amadores da natureza na Itaipu

12h47 - 16/05/2017


Mauro de Oliveira, vigilante da Veper, acabou descobrindo sua admiração pelo comportamento dos animais ao atuar nas trilhas do RBV.

A função do vigilante é autoexplicada pelo nome de seu ofício. Ele é aquele que precisa estar atento a tudo que acontece ao seu redor. Toda movimentação deve estar ao alcance de seus olhos, de forma a garantir a segurança. O pessoal da vigilância terceirizada de Itaipu segue à risca esta recomendação. E, para quem atua nas trilhas do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), a observação dos animais também acaba fazendo parte do dia a dia.

No caso dos vigilantes José Geraldo Murmel e Mauro de Oliveira, que trabalham no RBV e são contratados da Veper Serviços de Vigilância Ltda, o vínculo com a vida silvestre acabou despertando a vontade de registrar em imagens o cotidiano dos animais. Sem descuidar da função, eles se transformaram em uma espécie de fotógrafos amadores da natureza.


J.G. Murmel, como assina suas imagens, tem um rico acervo de fotos e vídeos do Refúgio.

O veterano José Geraldo Murmel foi por muitos anos um dos responsáveis pela vigilância da trilha, o “posto 24”. Há dois anos, foi transferido para a portaria, onde trabalha na atualidade.

Nos tempos de trilha, pôde acompanhar momentos históricos do Zoológico Roberto Ribas Lange, como a primeira vez da onça-pintada Valente no recinto do circuito turístico, em 2009. Murmel é o autor do único registro em vídeo deste momento. “Não foi nada parecido como a oncinha [nascida no Refúgio e solta no recinto em abril], com um monte de gente acompanhando”, compara. “O Valente saiu sozinho, meio ressabiado, até que foi se acostumando”. [Clique aqui para ver o vídeo da primeira saída de Valente, registrada por Murmel]


O olhar da jaguatirica eternizado pelas lentes de Murmel.

Com um extenso acervo de fotos e vídeos, Murmel tem suas imagens da natureza em várias plataformas on-line. “É só pesquisar com meu nome no Google para encontrar muitas fotos minhas, até em jornais de Portugal”, afirma. Uma de suas imagens, de um caminho florido do RBV, compôs a exposição coletiva “A floresta através dos sentidos”. A mostra ficou aberta entre outubro de 2016 e fevereiro deste ano, no Ecomuseu.

Suas fotos são famosas na Itaipu: uma delas ilustra a lateral da carretinha que transporta os visitantes entre o CRV até o Refúgio.


Algumas das muitas cenas registradas por Murmel, que trabalha há anos no RBV.

Mauro chegou à Itaipu em agosto de 2016, na mesma semana da onça-pintada Nena, a primeira de coloração preta (melânica) do RBV. Desde então, o vigilante tem acompanhado todo o histórico da fêmea, a primeira a se reproduzir no zoológico. Do namoro com Valente à gestação e ao nascimento do filhote (ainda sem nome), à soltura com a filha no recinto. “Quando separaram a Nena do Valente, a gente passava [pela maternidade] e via a barriga dela crescendo”, lembra.

Sua admiração pelas onças, harpias e demais animais rendeu muitas fotos no acervo pessoal. Em menos de um ano de empresa, ele tem muitas imagens dos bichos e também do Portinho, outro cartão-postal do RBV.


A pose do tamanduá durante repouso mereceu o clique de Mauro.

A observação ajuda a atualizar os monitores do turismo e tratadores. “Informamos muitas coisas a eles”, afirma. O mesmo ocorre com as equipes responsáveis pelos cuidados médicos dos animais. Se há algum comportamento anormal, percebido pelos vigilantes, isso é relatado aos biólogos e médicos veterinários.  “Para mim, é um privilégio ver essas coisas e trabalhar perto dos animais”, diz Mauro.


No flagrante de Mauro, o namoro de Nena e Valente, a harpia se preparando para o voo e a interação entre mãe e filhote.

Além das imagens, ambos têm muitas histórias sobre os animais para contar. Murmel destaca o procedimento de segurança adotado por animais para transitar nas trilhas. “Os quatis, por exemplo. Primeiro vem um para ver se a área está limpa, depois é que passam os outros”. Outra história rememorável é o banho do tamanduá. “Acho que pouca gente sabe, mas eles tomam banho parecendo seres humanos. Só falta o sabonete”, brinca.

Em área urbana


Joselito Assis dos Santos foi vigilante do Refúgio por anos. Agora, no Centro Executivo, também registra fotos dos animais silvestres que aparecem por lá.

Mesmo quem está fora de uma reserva natural também tem sua ocasião de “fotógrafo amador da National Geographic”. Joselito Assis dos Santos, um dos vigilantes do Centro Executivo, traz consigo o olhar apaixonado pela fotografia de natureza da época das rondas na península do Pomba Cuê, onde trabalhou por quase dez anos. “Na nossa área qualquer coisa que passa tem que ser observada, é próprio da nossa profissão”, disse.

Com seu celular, Joselito registra as aves mais raras que surgem no Centro Executivo, cuja diversidade da fauna, mesmo que incomparável à do Refúgio, é motivo de alegria. Como ocorreu com um tucano que ficou por quase uma semana no local, em agosto de 2016. “Ele nem se incomodava com um monte de gente passando. É [um comportamento] muito atípico”, conta o vigilante, que tem entre seus sonhos concluir um curso de fotografia. “Quem sabe eu faço um dia."


As aves registradas por Joselito: o tucano que lhe fez companhia por uma semana, no posto do Centro Executivo, e o sabiá que também apareceu no local.

Veja abaixo mais vídeos feitos por Murmel:

Valente Nadando

Valente saindo pela primeira vez recinto

Urutal com Filhote

Mais fotos

O pôr do sol no Portinho por Mauro.

...  o fim de tarde no Gramadão, por Joselito...

... e as trilhas do RBV, em dia de nevoeiro, por Murmel.

E pelas lentes de Murmel:



E a fauna na visão de Mauro.

 

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