Vianna defende a integração internacional para reduzir custos na geração de energia

Vianna defende a integração internacional para reduzir custos na geração de energia

17h08 - 09/11/2017


Luiz Fernando Leone Vianna falou sobre “O papel da Itaipu na integração elétrica regional”.

A união de países para produzir energia elétrica é considerada pelo diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Luiz Fernando Leone Vianna, uma alternativa viável para a geração com qualidade e baixo custo no atual contexto econômico. Para ele, a integração energética entre países vizinhos – como o Brasil e o Paraguai, que fizeram da hidrelétrica na fronteira entre eles um grande símbolo mundial de cooperação internacional – é cada vez mais uma necessidade.

Nessa quarta-feira (8), Vianna participou da abertura do 19º Seminário de Planejamento Econômico-Financeiro do Setor Elétrico (Sepef), promovido pela Fundação Comitê de Gestão Empresarial (Coge). Itaipu é anfitriã do evento, que acontece no Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e reúne, até sexta-feira (10), mais de 200 profissionais que atuam no setor elétrico brasileiro.

Em sua palestra intitulada “O papel da Itaipu na integração elétrica regional”, Vianna destacou os possíveis benefícios econômicos, sociais e ambientais que podem ser obtidos a partir da união de países em empreendimentos na área de energia.


A abertura do 19º Sepef aconteceu no auditório Césa Lattes, no PTI. Programação continua nesta quinta (9) e sexta-feira (10).

O diretor mostrou exemplos concretos deste potencial. O Brasil, segundo dados da PSR (empresa especialista na consultoria de empresas de energia elétrica e gás natural), poderia reduzir seus custos operativos em até R$ 8 bilhões se utilizasse plenamente as interconexões já existentes com a Argentina e o Uruguai.

Mas há alguns cuidados necessários. O tempo dos contratos, segundo Vianna, é um exemplo. Eles são perenes, atemporais e soberanos – têm mais poder que as próprias legislações dos países. “O Tratado de Itaipu, que pode ser utilizado como referência por outros países, não prevê separação. É um casamento que precisa dar certo”, comparou.

As diferenças podem ser um obstáculo – mas não instransponível. “A semelhança é um agente facilitador de integração, mas não imprescindível. Podem fazer parcerias de sucesso mesmo com realidades distintas", explicou.


A cerimônia de abertura contou também com a presença dos diretores financeiro executivo, Marcos Stamm; e administrativo, Marcos Baumgärtner.

Para ilustrar, novamente a Itaipu surge como exemplo. “Brasil e Paraguai são bem diferentes”, lembrou o diretor. Em 1972, a população brasileira chegava a 100 milhões de pessoas; a paraguaia, a 2,6 milhões. Em 2016, eram 207 milhões de brasileiros e 6,7 milhões de paraguaios.

Outra distinção está no consumo da eletricidade. Em 1972, o Brasil consumia 49.831 GWh e o Paraguai, 231 GWh. Vianna ressaltou que a diferença no consumo entre os dois também foi prevista no Tratado de Itaipu. Como cada um é dono de 50% de tudo que a usina produz, o documento determina que o excedente deve ser vendido para o sócio. “O consumo do Paraguai tem aumentado e, por isso, sobra menos para o Brasil comprar. Hoje, o país vizinho já consome 14.188 GWh, 61 vezes mais que naquela época.”

Vianna também falou sobre o Anexo C do Tratado, que vence em 2023, quando Itaipu termina de pagar sua dívida com o Tesouro Nacional. “O preço da tarifa da Itaipu é com base no custo. Até lá, 62% do faturamento é para pagar a dívida”.


Uma apresentação da Iluminação da Barragem encerrou o primeiro dia de programação do 19º Sepef na Itaipu.

Energia e finanças

O objetivo do 19º Sepef é aprimorar as discussões de temas econômico-financeiros das áreas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia. Para o diretor de Curadores da Fundação Coge, Rodolfo Sirol, o momento para este debate é muito oportuno. “Precisamos nos preparar, pois com a previsão de privatização do setor, tudo o que aprendemos até agora pode não servir mais. Devemos estar prontos para esta nova fase”, afirmou.

A cerimônia de abertura contou também com a presença dos diretores financeiro executivo, Marcos Stamm; e administrativo, Marcos Baumgärtner. Também participaram o diretor de Gestão Empresarial da Copel, Gilberto Mendes Fernandes; o diretor-superintendente da Fundação Coge, Paulo Petis; e o coordenador do Comitê Econômico Financeiro da Fundação Coge, Wanderson Rodrigues da Silva.

Os participantes ainda assistiram à Iluminação da Barragem, que, neste mês de novembro, recebeu lâmpadas azuis para lembrar a importância de prevenir o Câncer de Próstata.

A programação continua nesta quinta (9) e sexta-feira (10), no PTI, com uma série de debates sobre diversos temas relacionados ao planejamento econômico e financeiro do setor elétrico.

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