Tríplice Fronteira vai incluir questões sobre hanseníase na triagem ambulatorial

Tríplice Fronteira vai incluir questões sobre hanseníase na triagem ambulatorial

12h30 - 13/12/2017


O diretor financeiro executivo de Itaipu, Marcos Stamm, no encontro final da Capacitação para a Detecção Precoce sobre Hanseníase/Lepra.

Brasil, Paraguai e Argentina vão incluir na triagem das unidades básicas de saúde perguntas sobre lesões de pele. O objetivo é diagnosticar precocemente casos de hanseníase, também conhecida como lepra. Apesar de ter sido erradicada em muitos países, o Brasil é segundo do mundo no ranking de incidência da doença, com mais de 25 mil novos casos por ano. O país perde apenas para a Índia, com cerca de 127 mil casos anuais.

A verificação de possíveis sinais de problemas dermatológicos em pacientes que chegarem às unidades básicas é um dos resultados da “Capacitação para a Detecção Precoce e Sensibilização da Comunidade sobre Hanseníase/Lepra", promovido pelo Grupo de Trabalho Itaipu Saúde (GT-Saúde).

Durante um ano foram capacitados mais de 700 médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais do Brasil, Paraguai e da Argentina. O último módulo do curso ocorreu em 5 de dezembro, no auditório Cesar Lattes, no Parque Tecnológico Itaipu (PTI).


Marcos Stamm entrega certificado a profissional que concluiu capacitação no tema hanseníase.

“No GT Itaipu Saúde oferecemos as capacitações, mas a melhoria da qualidade de vida da população depende de profissionais de saúde, como os que estão reunidos aqui”, disse o diretor financeiro executivo de Itaipu, Marcos Vitório Stamm, durante a entrega dos certificados aos participantes do workshop.

O diretor, que também é coordenador do grupo de trabalho, reforçou a importância da abordagem dos pacientes a respeito das lesões de pele. “Não deixem de questioná-los porque muitas vezes o paciente é tímido sobre este assunto”, completou Stamm.

Um bom exemplo da eficácia do questionamento de pacientes ocorreu no Hospital Menonitas, no Departamento de Cordilleras, no Paraguai. Depois de participar da capacitação, um dos médicos passou a indagar os pacientes sobre lesões na pele, em novembro do ano passado. No período de três meses, o profissional identificou 12 casos de hanseníase, todos encaminhados para tratamento.

Números


Da esq. para a dir: Mirtha, Maria Luiza e Emilce: médicas de três países diversos e um consenso: quanto antes o diagnóstico, melhor para o paciente.

Os números da doença em território brasileiro levaram o GT Itaipu Saúde a incluir o combate à hanseníase entre as suas prioridades. Em 2015, foram registrados 28.761 casos no País. No ano passado, o sistema de saúde identificou 730 portadores da doença, apenas no Paraná. Destes casos, 30 são de Foz do Iguaçu. No mesmo período, o Paraguai teve 450 diagnósticos positivos - 35 deles em Ciudad del Leste.

“A hanseníase é uma doença muito antiga e que, apesar de existir há mais de cinco mil anos, ainda enfrenta muito preconceito e é envolta em mito”, explicou a médica brasileira Maria Luiza Toparolli.

A médica argentina Mirtha Ames reforçou que não se deve excluir da sociedade a pessoa portadora da doença. “Embora seja contagiosa, ela não é fácil de ser transmitida. É preciso muitos anos de convivência diária e pré-disposição genética. As pessoas devem saber que também existe cura para o problema”, enfatizou.

Das doenças contagiosas, a hanseníase é a que menos oferece risco de contágio, segundo a médica paraguaia Emilce Ramirez. Para todas as profissionais, quanto mais precoce o diagnóstico, mais efetivo e menos sofrido é o tratamento.

Saiba mais sobre a doença

A hanseníase ou lepra é provocada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela é contagiosa e transmitida de um indivíduo para outro por meio de gotículas de saliva, que entram pela boca e pelo nariz. Os primeiros sintomas podem levar até cinco anos para se manifestar. Os indícios mais comuns são manchas brancas na pele e perda da sensibilidade.

A doença pode atingir crianças, adultos e idosos, desde que se tenha contato intenso e prolongada com a bactéria. Cerca de 90% das pessoas possuem defesa natural contra o agente infeccioso.

A hanseníase pode causar incapacidade ou deformidades quando não tratada ou tratada tardiamente, mas tem cura. No Brasil, o tratamento gratuito é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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