Sobre as rodas da Kombi, casal vive história de amor em viagem pelo País

Sobre as rodas da Kombi, casal vive história de amor em viagem pelo País

11h41 - 18/05/2017

A Lourenir tomou um susto quando o casal Claudinei e Ana Rita estacionou a Kombi 79 em frente ao portão de casa. O convite de visitar Foz do Iguaçu e “suas maravilhas” havia sido feito por Facebook, semanas antes. O casal de viajante não pensou duas vezes e, sem avisar, chegou à fronteira para começar a segunda etapa de sua viagem pelo Brasil.

Lourenir acompanhou a visita do casal viajante por Itaipu.

Na sexta-feira (12), eles aproveitaram para rodar com a Kombi pela usina de Itaipu. O projeto Minha casa, minha vida na Kombi começou em agosto do ano passado. Na primeira etapa, eles foram até Belém e voltaram pelo litoral. Agora, a viagem segue para o Sul. Mas antes de embarcar na Kombi do casal, voltamos 40 anos, para saber como esta história começou.

Depois de quatro décadas...

Claudinei Dutra Vesco, 59 anos, tinha apenas 19 quando se encantou por uma menina de 13. “Foi apenas um namorinho, durou menos de seis meses”, explica Ana Rita da Costa Dutra Vesco, hoje com 52 anos. A menina, no entanto, nunca esqueceu o primeiro namorado. 

O apaixonado casal não dispensa uma ocasião para sapecar um selinho.

“Cada um seguiu sua vida, ele se casou e eu também. Mas eu sempre me lembrei dele”, continua Ana, enquanto acaricia as costas da mão do marido, que descansa sobre a janela da Kombi. “Mesmo sem saber, em alguns momentos de minha vida, a lembrança dele vinha à minha cabeça."

A Kombi, projeto de Claudinei no qual Ana Rita embarcou sem pensar duas vezes.

Ana Rita ficou casada por 16 anos. Claudinei, por 28. “Depois que me separei, fiquei um tempo sozinha e bateu aquela saudade. Aí eu o procurei no Facebook, a gente começou a conversar por mensagens e depois trocamos os telefones e ficamos até as duas da manhã conversando”, diz Ana. “A conversa começou numa quarta-feira e terminou na quinta”, completa Claudinei.

O casal visitou Itaipu na sexta e se encantou com a imensidão da barragem de concreto.

No sábado daquela semana, os dois se reencontraram. E não se desgrudaram mais. “Nós voltamos a nos falar no dia 1º de novembro de 2014. No dia 14 de novembro de 2015, nos casamos”, resume Ana. Aos quatro filhos de Claudinei se juntaram os três de Ana Rita. “Não dá para termos mais filhos. E também se tivesse, a gente não poderia viajar”, brinca Claudinei. É aí que começa a segunda parte desta história.

O sonho do pai

Há cinco anos, Claudinei comprou uma Kombi 79 para realizar um projeto quando se aposentasse: rodar o Brasil sobre quatro rodas. “O meu pai tinha este sonho desde antes de eu nascer, mas nunca realizou. Ele dizia: ‘filho, você vai viajar, vai fazer o sonho do seu pai e ser famoso'”, diz. O pai, seu Montinele Vesco, 83 anos, acompanha por fotos a aventura do filho e da nora. “Quando a gente sai, ele abre um sorrisão. E quando voltamos, ele quer saber como foi”, conta Ana.

A Kombi já rodou mais de 12 mil km, mas a viagem está só começando.

Ana, aliás, entrou na história enquanto Claudinei ainda reformava a Kombi. “Foi uma coincidência. Eu estava procurando alguém para viajar junto, mas não foi nada combinado”, explica. Em agosto do ano passado, a aposentadoria chegou, não deu uma semana, e os dois encaravam a estrada. Partiram de Bragança Paulista (SP), onde vivem as duas famílias, para o Norte do Brasil.

Parceiros de boleia. Claudinei e Ana Silva têm na Kombi como sua casa sobre rodas.

A viagem está apenas começando. Em cinco meses, eles foram até Belém, no Pará, pelo centro do País e voltaram pelo litoral. “Conhecemos o km 0 da BR 101, lá num farol a 100 km de Natal [RN]”, conta Claudinei. Aí, um problema no freio e a dificuldade de encontrar peças de um veículo tão antigo obrigaram o casal a voltar. “Viemos descendo de estado em estado, procurando a peça. Quando vimos, estávamos em casa”.

O convite da Lourenir

A segunda etapa começou há uma semana, quando eles chegaram a Foz do Iguaçu. A responsável pela visita foi a amiga Lourenir Monteiro Amadi, 52 anos. “Eu vi uma entrevista deles no programa do Rodrigo Faro e gostei muito da história. Aí adicionei eles no ‘Face’ e a gente começou a conversar. Fizemos uma amizade muito bonita”, conta Lourenir.

Lourenir não quer deixar os amigos irem embora. E planeja: um dia vai fazer uma viagem igual.

Os aventureiros estacionaram a Kombi na garagem de Lourenir e, segundo a anfitriã, não dão trabalho. “Eu achei que eles fossem chiques, no salto, mas são muito simples. Eu arrumei um quarto pra eles, mas eles querem dormir na Kombi. Tomam café lá, fazem seus lanches, não querem incomodar”, diz Lourenir, que, agora, não quer deixar o casal ir embora. Na sexta-feira, ela e o casal visitaram a Itaipu. Na ocasião, uma equipe da RPC fez uma reportagem sobre a visita.

Durante sua passagem por Itaipu, o casal deu entrevista à RPC.

Lourenir se inspirou com a história de Claudinei e Ana Rita. Vai esperar o marido, Sebastião Amadi, 56, se aposentar para começarem a própria. No grupo do Facebook, aliás, o projeto já tem inspirado algumas pessoas. “Eles nos escrevem, dizem que estão fazendo o mesmo e que a culpa é nossa”, conta Ana.

O para-brisa como tevê

Depois que a Lourenir liberar o casal, eles devem partir para o Sul. “Queremos fazer a parte final da da BR 101”, diz Claudinei. Ao longo do trajeto, eles param em postos de gasolina onde tem restaurante, banheiro e, claro, wifi. O casal mantém um grupo no Facebook e um canal no Youtube. A ideia inicial era monetizar para ajudar nos custos da viagem, mas a falta de internet constante acabou dificultando o plano.

O cafezinho sagrado feito na hora.

“Não é uma viagem cara. No almoço, nós compramos meia marmita, dividimos em dois e, ao longo do dia, comemos frutas, bolachas e castanhas”, explica Claudinei. Tudo é feito no carro. A cama vira mesa, as roupas ficam em um armário improvisado, o banheiro é um baldinho com sacola plástica (tudo muito organizado e higiênico, garantem). Eles mantêm os alimentos frios em uma caixa térmica e têm até um fogareiro para o café sagrado de todas as manhãs.

Fim de tarde na Itaipu, prontos para uma nova viagem.

A viagem é feita sem um plano específico. Vão até um lugar, ficam o tempo que quiserem e seguem viagem. “Outro dia, paramos perto de um bar e ficamos deitados em cima da Kombi, ouvindo a música e olhando as estrelas”, diz Ana. “O para-brisa é como a tevê de casa, mas a imagem nunca se repete”, profetiza Claudinei.

Agora, a Kombi segue para o Sul do País. Boa viagem!

E assim, ao sabor do vento, Claudinei, Ana e a velha Kombi seguem sua aventura, distribuindo simpatia por onde passam. Boa viagem!

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