Oficinas "põem o dedo na ferida" e debatem a realidade do preconceito

Oficinas "põem o dedo na ferida" e debatem a realidade do preconceito

10h41 - 15/02/2018

"Coisa de homem" e "coisa de mulher"? Já passou da hora de aceitar que todos podem ser o que quiserem, não acha?

Uma piadinha aqui, um comentário maldoso ali, um estereótipo infundado para completar e pronto: eis a receita do preconceito. E ele está, sim, por toda parte. Quando alguém pergunta se somos preconceituosos, a resposta costuma ser um não indignado. Mas será que nunca fizemos escolhas levando em conta a cor da pele, o jeito de se vestir, de falar, a crença, o peso, o sexo ou a opção sexual da outra pessoa? 

Cerca de 25 pessoas participaram da oficina. 

Para encarar essa questão, o Comitê de Gênero da Itaipu organizou, na última terça-feira (6), no Centro de Treinamento, uma oficina para alinhamento de conceitos, conduzida pela consultora da ONU Mulheres, Adriana Carvalho. O trabalho foi o ponto de partida para uma série de ações que o Programa de Equidade de Gênero vai desenvolver ao longo de 2018. 

“A partir dos resultados da pesquisa binacional que o Comitê realizou recentemente com empregados e empregadas da empresa, vamos alinhar conceitos e pensar quais serão as atividades que melhor atenderão às demandas que surgiram”, explicou a coordenadora do Comitê de Equidade de Gênero, Lilian Paparella. 

Ortiz: "Não posso sair por aí difundindo um conceito que acho certo e que, na verdade, é preconceituoso. Temos que aprender e mudar."

Outro importante objetivo da oficina é identificar futuros multiplicadores para diálogos sobre o tema, seja dentro ou fora da empresa. Vinicius Ortiz de Camargo, coordenador do Programa de Integração e Incentivo ao Trabalho (PIIT), foi um dos convidados. “Por desenvolver um trabalho com jovens, que são um público tão relevante e tão influenciável, acho muito importante participar desse tipo de ação, para entender melhor a realidade e não reforçar estereótipos e ideias preconceituosas”, avaliou. 

Temas

A oficina teve quatro módulos. No primeiro, “Mulheres na sua pluralidade”, os participantes conheceram dados e estatísticas a respeito da realidade feminina relacionados a educação, remuneração, participação na ciência, na publicidade e até mesmo no esporte. “Muita gente vê o assunto com uma lógica distorcida, mas quando é colocado diante de dados reais, incontestáveis, percebe que é hora de buscar uma nova posição”, disse a consultora da ONU Mulher, Adriana Carvalho. 

Adriana Carvalho: contra fatos, não há argumentos.

O segundo módulo, falou sobre “Vieses inconscientes”, que são os estereótipos que mantemos sobre diferentes grupos de pessoas a partir de situações e experiências que vivenciamos ao longo da vida, como memórias de infância, conversas com amigos e até mesmo notícias que vimos na televisão – aquelas situações que mencionamos ali no primeiro parágrafo, lembra? 

Informe-se e não deixe ideias antiquadas dominarem suas ações. Imagem: LEW (Lead Equity Woman)

Durante a oficina, os participantes debateram e refletiram sobre a força que essas armadilhas têm, e como é comum sermos preconceituosos mesmo sem ter a intenção. “Essas ideias pré-concebidas prejudicam muito o pensamento crítico. Essas ideias estão tão arraigadas que muita gente acaba distorcendo a lógica para defender um pensamento preconceituoso”, pontuou Érica Davies (RSIR.GB), também integrante do Comitê de Gênero.

Erika Davies lembrou que, muitas vezes, as pessoas tentam distorcer a realidade para mostrar que estão certas. 

O terceiro e o quarto módulos trouxeram, respectivamente, uma perspectiva histórica da igualdade de gênero, e uma proposta de agenda para o futuro. “As interpretações incorretas a respeito dos temas de gênero e do preconceito como um todo prejudicam demais o avanço do nosso trabalho. Divulgar o conhecimento é primeiro passo para chegarmos às ações na empresa e fora dela”, comentou Adriana.

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