Mulheres extraordinárias se inspiram em abertura de exposição no Ecomuseu

Mulheres extraordinárias se inspiram em abertura de exposição no Ecomuseu

12h00 - 07/03/2018

A empresária Celma de Assis Passato, 50 anos, de Terra Roxa, lê com a atenção um dos 20 painéis da exposição Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil, aberta no Ecomuseu de Itaipu na tarde desta terça-feira (6). Na tela, a história de uma das várias mulheres que tiveram grande importância para o desenvolvimento do País. Celma talvez não saiba, mas ela também é uma mulher extraordinária: há 30 anos, vendia panos de prato de porta em porta. Hoje, sua fábrica de moda infantil emprega mais de 630 pessoas no município.

O trabalho de Celma tem impacto em centenas de famílias de Terra Roxa. 

“A gente não pode se limitar a fazer o menos, temos que buscar nossos sonhos e, com humildade, realizá-los”, resumiu a empresária. Ela é uma das 70 mulheres da região, líderes locais nas mais diversas áreas, que levaram suas histórias inspiradoras ao Ecomuseu. A exposição segue no Ecomuseu até junho e poderá ser visitada de terça-feira a domingo, das 8h às 16h30. Moradores dos municípios lindeiros ao Lago de Itapu não pagam ingresso.

Debate entre as mulheres da região aconteceu após a abertura da exposição Mulheres extraordinárias.

O debate entre elas integrou o início das celebrações do Mês da Mulher, na Itaipu. Dentro da programação, também foi aberta a exposição Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil, que reúne 20 histórias das 45 contadas no livro homônimo, assinado pelas jornalistas Aryane Cararo e Duda Porto de Souza.

Exposição traz 20 mulheres que têm alguma relacionamento com a região.

“Escolhemos 20 mulheres pensando na realidade da região. São mulheres com relevância na questão socioambiental ou agrária”, explica a autora Aryane Cararo. A grande homenageada da exposição é socióloga Moema Viezzer, que não está no livro, mas tem grande relevância para a Região Oeste do Paraná. Moema, que vive em Toledo, participaria da abertura da exposição, mas não pôde comparecer por problemas pessoais.

Mulheres da região puderam se inspirar nas histórias da exposição.

O livro

Lançado em novembro do ano passado, “Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil” nasceu fruto de uma extensa pesquisa das jornalistas sobre as protagonistas do País. “Queríamos recontar a história do Brasil, porque ela não estava sendo bem contada. A história é muito masculina, sentimos falta das personagens femininas”, explica  Aryane.

Uma das autoras do livro, Aryane Cararo conta que reconheceu a própria falta de conhecimento sobre as mulheres protagonistas do País. 

Segundo ela, a própria pesquisa mostrou o desconhecimento da jornalista sobre a quantidade de mulheres extraordinárias do País. O livro começou com 20 nomes e, ao final da pesquisa, chegou a mais de 300, de várias regiões do Brasil em diferentes áreas de atuação. Em comum, todas tiveram enorme impacto para o crescimento do País em suas áreas.

Objetivo do livro é recontar a história e mostrar às meninas que existem muitas mulheres extarordinárias.

“Nosso objetivo é fazer esta reconstrução histórica e que as meninas de hoje possam se inspirar nestas mulheres e ver que elas também podem ser extraordinárias”, concluiu. O livro foi lançado com tiragem de 10 mil exemplares e está na segunda edição. Itaipu comprou 300 exemplares e vai distribuir para as participantes das celebrações.

Extraordinárias da região

Tanto as 20 mulheres selecionadas para a exposição, quanto as 45 do livro têm destaque em suas áreas de atuação. Mas tão extraordinárias quanto elas são as cerca de 70 convidadas da região que participaram do debate após a abertura da exposição. É o caso da empresária Celma Passato, que conseguiu mudar a realidade da cidade de Terra Roxa e gerar empregos para várias famílias com sua fábrica de roupas. 

Nilva, à esquerda, e Thaís: protagonismo passado de mãe para filha.

É o caso também da vereadora de Mundo Novo (MS), a assistente social Nilva da Silva Ramos Oliveira, 50 anos. Nascida e criada em um assentamento rural, em uma época em que as mulheres não tinham incentivo para estudar, ela sempre lutou para mudar a própria realidade em sua casa, onde era a única mulher entre seis filhos.

“Eu tinha só a 4ª série e fui conseguir fazer minha faculdade só depois dos 40 anos”, diz. Hoje, ela é liderança municipal e atua na promoção de políticas públicas voltadas para garantir a equidade de gênero. Nilva estava acompanhada da filha, a pedagoga Thaís Ramos, 26 anos, que segue os passos da mãe e hoje coordena o Centro de Qualificação Profissional do município.

No início cética em relação aos produtos livres de agrotóxicos, Lorita preside hoje uma associação de produtores orgânicos.

A produtora rural Lorita Sonntag, 51 anos, de Mercedes, viu sua vida mudar quando ela e o esposo começaram a trabalhar com produtos orgânicos, em 2001. Na época, eles reclamavam dos efeitos nocivos dos agrotóxicos no organismo e resolveram arriscar. Depois de vários cursos, o casal têm certificado de produtos orgânicos e uma renda extra para a família.

“Eu não acreditava muito em orgânicos na época”, confessa Lorita, que hoje preside a Associação dos Produtores Orgânicos de Marechal Cândido Rondon e é conselheira da associação em Mercedes. “A gente precisa acreditar que podemos fazer as coisas e entender que ninguém nasce sabendo. Mas tudo podemos aprender”, conclui.  

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