Ministros do Mercosul discutem melhorias para o controle de doenças endêmicas

Ministros do Mercosul discutem melhorias para o controle de doenças endêmicas

16h14 - 11/12/2017

Um exemplar de mosquito Aedes aegypti pode atravessar a fronteira entre Brasil e Paraguai, ao voar sobre o Rio Paraná ou pegar carona em carros e malas dos turistas que cruzam a Ponte da Amizade. Mas, se for capturado por profissionais da saúde, no outro lado da fronteira, para ser analisado com fins científicos em Foz do Iguaçu (PR), será barrado na aduana. Isso ocorre porque o transporte de material biológico entre os países é proibido, prejudicando ações conjuntas de combate às doenças endêmicas.

O encontro reuniu as autoridades da saúde do Mercosul para debater temas como obesidade, medicamentos, uso de drogas e o combate às doenças epidêmicas. O diretor financeiro executivo Marcos Stamm representou a Itaipu. 

A necessidade de criar uma legislação específica na área da saúde para as regiões de fronteira, com objetivo de facilitar a cooperação entre os países vizinhos, foi uma das propostas levadas à 41ª reunião dos Ministros da Saúde do Mercosul, que reuniu os ministérios de Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, além de observadores do Chile. O encontro ocorreu na quinta-feira (7), no Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu.

Da esquerda para direita: o coordenador de Assuntos Internacionais do Ministério da Saúde do Chile, José Luis Dúran; os ministros da saúde Antonio Carlos Barrios (Paraguai), Ricardo Barros (Brasil) e Adolfo Rubinstein (Argentina) e o vice-ministro uruguaio, Jorge Quian.

O diretor financeiro executivo da Itaipu, Marcos Stamm, representou a empresa. Na oportunidade, ele explicou a atuação da binacional na área da saúde da tríplice fronteira por meio do Grupo de Trabalho Itaipu Saúde. Stamm destacou a atuação em dois projetos, um que vai melhorar a avaliação do desempenho assistencial de hospitais do Sistema Único de Saúde e, outro, relacionado ao combate a doenças transmitidas por vetores.

Durante o encontro, o ministro da saúde do Brasil, Ricardo Barros, assinou um termo de cooperação técnica com o vice-ministro da Saúde uruguaio, Jorge Quian. O objetivo é fazer um convênio guarda-chuva para ampliar a cooperação entre os dois países em temas como aquisição de medicamentos e capacitação profissional. Após a reunião, Barros passou a presidência pro tempore do Mercosul Saúde, que estava sob o comando do Brasil, para o ministro paraguaio Antonio Carlos Barrios.

Legislação para fronteira

Durante o encontro ministerial, sob a orientação do ministro Ricardo Barros, um grupo de governantes locais foi formado para levantar as principais demandas da região. Participaram os prefeitos de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este (Paraguai) e um representante da província de Misiones (Argentina), onde está localizada a cidade fronteiriça de Puerto Iguazú. Também fizeram parte do grupo representantes do Ministério da Saúde brasileiro, integrantes do GT Itaipu Saúde e profissionais do Centro de Medicina Tropical, construído pela Itaipu Binacional e inaugurado no início do ano para ser um centro de referência em pesquisas e na prevenção das doenças tropicais.

Chico Brasileiro considera que a região fronteiriça deve ser tratada de forma distinta, na área da saúde. Além da permissão do trânsito de amostras biológicas, ele destacou a possibilidade de compras de medicamentos e seviços nos países e o atendimento de vítímas de acidentes que estiverem em trânsito na região.

O grupo definiu como uma das prioridades a permissão para transporte de material biológico entre os países. Assim, amostras de mosquitos Aedes aegypti poderiam ser coletadas em Ciudad del Este e analisadas no Laboratório de Biologia Molecular do Centro de Medicina Tropical, em Foz do Iguaçu, contribuindo para o combate da dengue, zika e chikungunya de forma regional. “É preciso pensar a fronteira como uma região única, para formularmos estratégias conjuntas de combate às doenças”, considerou o prefeito de Foz do Iguaçu, Chico Brasileiro.

Barros e as autoridades locais se comprometeram de levar adiante as propostas de mudanças na legislação para fronteira.

O ministro Ricardo Barros ouviu as propostas e concluiu os trabalhos da comissão técnica. Ele se comprometeu a levar ao governo federal as sugestões de mudanças na legislação para áreas de fronteira em temas ligados à saúde. O próximo encontro do grupo de trabalho está previsto para o final de janeiro de 2018, durante a Reunião Ordinária do GT Itaipu Saúde, na Itaipu Binacional.

Modelo “exportação”

Com menos de um ano de funcionamento, o Centro de Medicina Tropical da Tríplice Fronteira já mudou a forma de combate às doenças epidêmicas em Foz do Iguaçu. Por meio do Método VIGEntEE© é feita a captura do mosquito em mais de 3.700 armadilhas espalhadas pela cidade. Após uma hora da coleta já é possível saber se o mosquito está contaminado com o vírus transmissor da dengue e de outras doenças. Unindo às informações do local da coleta, é possível fazer ações assertivas de tratamento preventivo da população e combate aos mosquitos em áreas específicas da cidade.

Centro foi inaugurado em 10 de janeiro e já levantou uma série de informações inéditas sobre o combate às doenças epidêmicas.

De acordo com o gerente do Laboratório, Robson Michael Delai, o Método VIGEntEE© tem eficiência de identificação da presença do vírus 55% superior ao método tradicional. O sistema, já adotado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Foz do Iguaçu, foi apresentado ao Ministério da Saúde para ser replicado nos 52 municípios do Oeste do Paraná. “A nossa política no ministério é permitir que várias tecnologias se desenvolvam e investir naquelas que derem certo”, antecipou o ministro Ricardo Barros.

Os coordenadores do Programa Saúde da Fronteira, Luiz Paulo Johansson (Brasil) e Gustavo Rene Ortiz (Paraguai), querem ampliar o atendimento do Centro de Medicina Tropical.

O objetivo do Centro de Medicina Tropical é levar a metodologia para o combate às doenças epidêmicas e de transmissão por vetores também às outras cidades da tríplice fronteira, Ciudad del Este e Puerto Iguazú. Daí a importância de ter um tratamento diferenciado nas áreas de fronteira.

“A Itaipu é uma empresa binacional. Não há lógica em montar um laboratório, como a estrutura que foi criada, sem que ela possa atender toda a região da tríplice fronteira”, disse o chefe da Assistência da Diretoria Financeira Executiva de Itaipu, Luiz Paulo Johansson. “Atualmente, temos que enviar as coletas para Assunção e leva um mês para termos uma resposta. Isso inviabiliza qualquer estudo a ser feito”, complementou Gustavo Rene Ortiz, da Assistência da Diretoria Financeira.

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