Frente a frente pela primeira vez: barrageiro visita a Itaipu depois de 40 anos

Frente a frente pela primeira vez: barrageiro visita a Itaipu depois de 40 anos

18h05 - 11/12/2017

Tesouros do passado: as fotos de Ernesto exibem uma paisagem muito diferente da que se vê hoje.

As fotos antigas nas mãos eram a prova física, mas a nostalgia no olhar de Ernesto Rodrigues diante da gigante de concreto já era mais que suficiente para comprovar: sim, ele é um dos milhares de heróis que ajudaram a construir a Itaipu. De 1977 a 1979, ele conduziu as máquinas que prepararam o terreno para receber a maior produtora de energia do mundo. E agora, 40 anos depois, ele retornou, pela primeira vez, para ver a obra finalizada. 

A foto de ontem...

...e a de hoje. A gente não pediu para ele posar, viu?

Até então desconhecidos, Ernesto e a Itaipu ficaram frente a frente nesta segunda-feira (11). “O aniversário dele foi no sábado, dia 9, e nosso presente foi trazê-lo para cá. Presente para ele e para nós, que finalmente pudemos ver a Itaipu da qual ele tanto fala”, contou a filha de Ernesto, Danielly Rodrigues Hryncz. Junto com o irmão, Emanuel, eles embarcaram na viagem de carro de 754 km de Antonina, onde moram, até Foz do Iguaçu, para que o pai pudesse reencontrar esse pedaço do passado e ver pronta a “tal da Itaipu”. 

Viagem foi presentão de aniversário dos filhos.

Ernesto e os filhos foram recebidos por Christian Gomes, da Divisão de Relações Públicas (CSRP.GB), que os levou para um passeio completo. E merecido. “Cheguei bem no começo e trabalhei como operador das máquinas. Depois, passei a ser instrutor dos novos operadores que chegavam. Meu maior arrependimento é não ter tentado ficar por aqui mais tempo”, conta Ernesto, que foi dispensado após o desvio do leito do rio, quando começaram as obras civis.

Essa foi posada: os filhos quiseram reproduzir a foto lá de cima, em frente à barreira de controle. Foto: Acervo pessoal

Histórias, são muitas. O tamanho impressionante dos tratores e escavadeiras, o vaivém dos caminhões, o calor quase insuportável do canteiro de obras, o barco sugado pelas águas recém-libertas do rio logo após o desvio... “Imagine só, nosso pai andou ali, naquele chão”, diz Emanuel apontando para as águas fluindo após passarem pelas turbinas. Agora, as histórias ouvidas na infância começam a ganhar dimensões reais – e que dimensões!

Nas fotografias, o antes e o depois. 

Entusiasmado, Ernesto aponta nas fotos as coisas que viu, que fez, o que passou e os amigos que encontrou. Para cada lado que olha, lembra-se de uma nova história. A gente, humildemente, nova geração que só viu o resultado final de tanto trabalho, ouve e agradece. A ele e a todos que ousaram enfrentar o desconhecido para construir essa gigante chamada Itaipu.

Versão para impressão