Debate pede planejamento e novas normas para energia

Debate pede planejamento e novas normas para energia

08h25 - 13/03/2018

Fonte: Jornal do Senado

O aumento no uso de energias renováveis passa por uma mudança de mentalidade, com planejamento urbano, legislação atualizada e profissionais preparados. É a opinião dos especialistas do setor energético que participaram de debate ontem na Comissão Senado do Futuro (CSF). A discussão faz parte do ciclo de debates “2022: o Brasil que queremos”, que tem o objetivo de discutir medidas para o desenvolvimento social, tecnológico e econômico do país. O tecnologista da Agência Espacial Brasileira Cristiano Trein afirmou que é necessário incluir a energia como ferramenta da garantia do desenvolvimento sustentável das cidades e também da função econômica e social. Para ele, energia deve fazer parte do plano diretor dentro do Estatuto da Cidade. Trein ressaltou que, atualmente, mais da metade da população mundial vive em cidades. A projeção é que, nos próximos 12 anos, o Brasil deva passar de 208 milhões para 223 milhões de habitantes. É importante investir mais em energia renovável intermitente, mas não só nela. — Se aumentamos a nossa matriz apenas com uma fonte intermitente, como a energia solar fotovoltaica, vai nos faltar capacidade de manobra do sistema. Isso coloca em risco a segurança energética. Há um limite para fonte intermitente. Ainda carecemos do desenvolvimento de baterias mais baratas e mais eficientes. O especialista também apontou a necessidade da redução da perda de 17% da energia desde a geração até o consumo. Matriz energética O representante do Ministério de Minas e Energia, Lívio Andrade Filho, apontou a diversificação da matriz energética do país, com 80% de fontes renováveis. As hidrelétricas ainda representam a maior parte, mas a energia eólica já cresceu 12%, seguida ainda de longe pela solar e pela biomassa. E as perspectivas são otimistas, segundo ele. — A projeção é que em 2026 a gente chegue a 86,9% de energias renováveis. A eólica deve subir para 12,5% e a solar deve chegar a 2% — disse. Para Andrade, há várias vantagens nas fontes renováveis de energia, desde a redução de perdas e a segurança no abastecimento até a permissão de arranjos, como consórcios e cooperativas. Ele explicou que o governo federal pode incentivar mais empreendimentos oferecendo preços atrativos ao investidor por meio de leilões. O professor da Universidade de Brasília (UnB) Rafael Shayani apontou como um dos desafios para o futuro a formação dos profissionais do setor energético. O perfil desse novo profissional deve englobar uma visão mais diversificada sobre energia elé­ trica para apresentar soluções modernas, defendeu. — Os pontos a serem estudados por profissionais da área devem observar a relação entre energia e meio ambiente, justiça social e saúde pública, direitos humanos, erradicação da pobreza e cidadania mundial — afirmou. Legislação O professor da Universidade de São Paulo (USP) José Roberto Simões elogiou a instalação de projetos de energia solar, como os existentes na Bahia e no Piauí. No entanto, cobrou mudanças na legislação para que o setor comece a trabalhar com um novo conceito da geração distribuída. O Brasil precisa parar de gerar energia muito distante dos centros consumidores e apostar no pequeno produtor, sugeriu. — Evitaríamos grandes investimentos e a tecnologia já está aí: os painéis fotovoltaicos. E aperfeiçoaríamos o sistema de compensação. Já o presidente da CSF, Hélio José (Pros-DF), lembrou que há algumas propostas legislativas de autoria dele para o setor energético tramitando na Casa. No entanto, o senador ressaltou o forte lobby das Termelétricas, que, afirmou, barra o avanço da exploração de fontes renováveis.

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