Comunicação na fronteira foi tema da quarta audiência pública

Comunicação na fronteira foi tema da quarta audiência pública

09h39 - 22/11/2017

A comunidade acadêmica reuniu-se nesta segunda-feira (13) para debater o tema “Unila: comunicação, visibilidade no território e expressão na fronteira”. A discussão fez parte da quarta audiência pública do projeto Vozes Latinas, iniciativa da gestão da Universidade que visa socializar questões institucionais para a realização de diagnósticos e encaminhamentos propositivos com ativa participação da comunidade da Unila. A audiência foi coordenada pela Pró-Reitoria de Extensão, pela Pró-Reitoria de Relações Institucionais e Internacionais e pela Secretaria de Comunicação Social. O encontro também contou com convidados externos, como a representante da Associação do Bairro Cidade Nova, Maria Elza Mendes; o diretor de Extensão da Universidad Nacional del Este (UNE), Juan Carlos Molina; a jornalista Denise Paro; e o representante da Cáritas em Foz do Iguaçu, padre Sérgio Bertotti.

O principal ponto abordado na audiência foi a necessidade de apontar caminhos para que a Universidade desenvolva suas ações levando em consideração as demandas da comunidade de Foz do Iguaçu e do Oeste do Paraná. Embora o corpo docente e discente da Unila já realize várias atividades de pesquisa e extensão destinadas a esse território, também é necessário, de acordo com a líder comunitária Maria Elza Mendes, que a população tenha um retorno sobre os resultados desses projetos. “As comunidades não são apenas objetos de pesquisa, mas são locais que precisam receber uma contrapartida, um benefício com a chegada da Universidade”, relatou Maria Elza, que também é membro do Conselho Universitário da Unila.

O padre Sérgio Bertotti lembrou da atuação da Universidade na Ocupação do Bubas, localizada no bairro Porto Meira e considerada a maior ocupação urbana do Paraná. No local, a Unila desenvolve, desde 2015, vários projetos visando à qualidade de vida dos moradores. “É um trabalho de acolhimento e de mostrar à população quais são seus direitos. Essa atuação fez com que a Unila passasse a ser reconhecida e muito respeitada na região sul da cidade”, destacou. Bertotti salientou, ainda, que a Cáritas trabalha diretamente com migrantes e refugiados, e que estão ocorrendo conversas para a realização de iniciativas conjuntas com a Universidade sobre essas temáticas.

Sobre a atuação da Universidade no território, o representante da UNE, Juan Carlos Molina, lembra que o novo modelo de extensão universitária é a extensão crítica. “A extensão crítica é proposita, reconhece os saberes populares e tenta interconectar esses saberes com o conhecimento acadêmico”, salientou. Molina lembrou que os conceitos da extensão crítica foram abordados durante a programação do 35º Seminário de Extensão Universitária da Região Sul, realizado na Unila no início de novembro, e serão retomados no encontro da Unión Latinoamericana de Extensión Universitaria (Uleu), que será realizado em Ciudad del Este, em 2018.

Rede de jornalistas da fronteira

A jornalista Denise Paro, que atua há 20 anos em Foz do Iguaçu, enfatizou a dificuldade da imprensa, local e nacional, de aprofundar as temáticas e peculiaridades da fronteira. “A mídia somente aborda as notícias factuais da região, ou seja, as apreensões, os crimes, os números do turismo. Falta apuração, investigações e novas abordagens sobre a fronteira”, disse a jornalista, que apontou a diminuição das redações de veículos de comunicação como uma provável causa desse panorama. “Até quanto o jornalismo forma ou deforma nossa visão da fronteira?”, questionou Denise, que também atuou como docente da área de Comunicação.

Denise Paro propôs a criação de uma Rede de Jornalistas da Fronteira, um fórum que aproxime profissionais da imprensa do Brasil, Paraguai e Argentina com o objetivo de discutir novas formas de cobrir a fronteira, além de determinar assuntos importantes para os três países. “Juntos, podemos discutir maneiras de mostrar toda a diversidade e singularidade que encontramos na Tríplice Fronteira. E, com isso, estaremos colocando em prática uma forma mais cidadã de se fazer jornalismo”, concluiu.

Fonte: Unila

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