Com apoio de Itaipu, Brasil e Paraguai criam documento único para conter epidemias na fronteira

Com apoio de Itaipu, Brasil e Paraguai criam documento único para conter epidemias na fronteira

15h57 - 14/11/2017


Encontro ocorreu na última semana, em Ciudad del Este, com a participação de profissionais da saúde do Brasil e do Paraguai.

O passo a passo de como agir no caso de epidemias de dengue, influenza ou febre amarela na fronteira entre o Brasil e o Paraguai está especificado agora em um documento único, elaborado por representantes da área de saúde dos dois países.

O “Protocolo de Atendimento de Emergências Fronteiriças” é resultado de um encontro entre profissionais brasileiros e paraguaios que atuam na área em âmbito municipal, estadual ou federal. O Treinamento de vigilância e coordenação transfronteiriça ocorreu nos dias 8 e 10 de novembro, no Nova Executive Hotel, em Ciudad del Este, no Paraguai. O evento foi organizado pelo Grupo de Trabalho Itaipu-Saúde (GT-Itaipu Saúde).

O documento será encaminhado para aprovação dos ministros da Saúde, Ricardo Barros (Brasil) e Antonio Arbo (Paraguai). Se aprovado, além começar a ser executado em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, o modelo de atuação poderá ser replicado para outras fronteiras como as do Peru, Equador, Colômbia e Venezuela.

Na análise da médica Angela Hilmers, assessora técnica da Rede de Intervenções em Programas de Formação em Epidemiologia e Saúde Pública (Tephinet), presente em mais de 100 países, tanto o Brasil quanto o Paraguai têm protocolos de atuação no caso de emergências epidemiológicas, mas as divisas entre os países precisam de uma ação mais específica e rápida, pois não há como proibir a entrada e saída de pessoas.

“Se, por exemplo, detectarmos uma epidemia de ebola no Paraguai, não poderíamos proibir a entrada de paraguaios no Brasil. O mesmo ocorreria no caso contrário. Por isso, precisamos encontrar uma maneira rápida de intervir e resolver o problema”, afirmou.


Tércio Albuquerque, da Assistência da Diretoria Financeira de Itaipu: binacional dará apoio à demanda que será levada aos ministros da Saúde.

Para a secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde do Brasil, Noely Fabiana de Moura, esse documento auxiliará muito o trabalho dos profissionais que atuam nas fronteiras e ajudará a reduzir os impactos causados pelas doenças epidemiológicas. “O Brasil tem hoje ações pontuais na área de vigilância nas fronteiras. Nossa expectativa é que, com esse plano, passamos a ter políticas públicas neste campo”.

De acordo com o assessor da Diretoria Financeira de Itaipu, Tércio Alves de Albuquerque, assim como o GT-Itaipu Saúde colaborou na elaboração do protocolo, o grupo dará apoio na execução. “Queremos que esse plano não seja apenas um documento, mas que seja colocado em prática. Estaremos aqui para colaborar”.

Ação integrada

A capacitação dos profissionais e a elaboração do plano fazem parte do Projeto Fortalecimento da Fronteira em Vigilância da Saúde, aprovado em 2015 pelo GT-Itaipu Saúde. Os objetivos da iniciativa são: capacitar os atores-chave na aplicação dos procedimentos de manejo de emergências seguindo o Regulamento Sanitário Internacional (RSI); melhorar a comunicação de riscos em saúde pública através da elaboração de manuais para serem difundidos na área de fronteira; e elaborar Planos de Contingência.

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