Billy dá asas à emoção e descortina o céu com cadeirantes a bordo

Billy dá asas à emoção e descortina o céu com cadeirantes a bordo

16h15 - 16/05/2017


Billy ajeita o equipamento: até onde vai o seu limite? Colega mostra que nem uma cadeira de rodas impede um cadeirante de chegar mais perto do céu.

O gerente da Divisão de Apoio e Segurança (SESA.AD), Valtemir de Souza Pereira, o Billy, não precisa pensar muito para dizer a palavra que resume melhor a experiência de conduzir cadeirantes em passeios aéreos a bordo de seu paratrike: “emocionante”. Produto da mais pura empatia, a ideia de conduzir pelas alturas pessoas que não podem andar surgiu após Billy passar três meses em uma cadeira de rodas, em função de múltiplas fraturas sofridas nos dois pés e de uma fissura na quarta vértebra lombar ocasionadas pelo acidente que sofreu em janeiro de 2014.

Como seu desejo sempre foi estar no alto e tendo passado temporariamente pelas mesmas dificuldades que os cadeirantes encaram no dia a dia, Billy trocou o paramotor, uma espécie de cadeira presa a um motor de dois tempos de alta rotação, pelo paratrike, um triciclo mais pesado e de motor mais potente. Assim poderia ter companhia em seus voos, já que o equipamento possui dois bancos e força suficiente para dois passageiros.


Cristiana diz que não há palavras para descrever o voo e cobra, agora, um passeio sobre a Ponte da Amizade.

E assim foi. Em janeiro de 2016, Billy fez seu primeiro voo com uma cadeirante. A convidada era a colega do Departamento de Coordenação de Segurança, Cristiana Gianluppi da Silva (SES.AD). “Eu me senti livre, sem barreiras e sem vontade de descer”, contou ela, que sofre de atrofia muscular espinhal progressiva, uma doença hereditária que enfraquece o corpo ao ponto de não permitir caminhar.

No último dia 7, um domingo, o livro de voo de Billy ganhou uma página nova. Dessa vez, quem o acompanhou foi Adolfo Alvarenga, cadeirante há 20 anos, após sofrer um acidente em uma piscina. Quem o apresentou a Billy foi Cristiana, a primeira “caroneira”. “Cheguei até ele pelo seu filho, que me contou, em um encontro que tivemos no ônibus, que o pai sempre teve o desejo de voar”, lembrou. “Pedi para ele aguardar, pois ia conversar para que seu pai voasse e, quando deu certo, ele ficou muito emocionado, muito feliz.”


Alvarenga foi o convidado especial do fim de semana para voar com Billy sobre a Itaipu. Ele é cadeirante há 20 anos e sempre sonhou em voar.

O voo durou cerca de 20 minutos. Billy conta que foi um passeio bem especial. “A Cris ainda se locomove com facilidade, tem a cadeira elétrica dela, mas o Adolfo é tetraplégico, nem o cabelo dos olhos ele consegue tirar sozinho. Levar uma pessoa assim para um passeio desses, que não tem obstáculos, perguntar se quer ir para a direita ou para a esquerda, o que quer ver, é muito legal, muito emocionante”, contou Billy.

O homem-pássaro tem muitas horas de voo. Não só no Brasil, mas também em diversos outros países, como Nepal, China e República Tcheca. Antes do acidente de 2014, competia internacionalmente. Para ele, ainda é difícil imaginar que pessoas com mobilidade reduzida possam voar, “mas saber que pode ajudar é uma emoção muito grande”.


Billy não esconde seu orgulho de trabalhar na Itaipu, levando para todos seus voos em competições, antes do acidente em 2014.

Segundo Billy, para o voo com cadeirantes não é necessário muitas adaptações, visto que a cadeira utilizada é de um modelo que se adapta ao corpo. No caso de Adolfo, foi necessário somente prender os pés e os joelhos, para que não escapassem do cockpit, como é chamado o espaço que o condutor e o passageiro ficam no equipamento. Um fisioterapeuta acompanhou o voo e instruiu Billy para que tudo ocorresse perfeitamente.

Agora, Billy conta que a lista de próximos voos é extensa, já que o passeio com Alvarenga recentemente foi notícia no Paraná TV, da RPC TV (assista clicando aqui), o que fez com que diversas pessoas entrassem em contato com ele para agendar. “Não há como atender a todos, por conta do trabalho. Se houvesse o horário de verão, seria uma boa, mas temos que esperar”, disse ele, que agora costuma voar somente nos fins de semanas, desde que as condições permitam.


Billy costuma registrar imagens aéreas da região. Neste, estava sobre as Cataratas do Iguaçu.

Billy voa desde 1987, quando iniciou no paraquedismo. Em 1999 passou para o paramotor. Foi paixão à primeira aérea. “Costumamos impor nossos próprios limites, dizendo que não podemos fazer algo, que não conseguimos, e quando vemos alguém como a Cris, que faz tudo sozinha, ou como o Adolfo, que diz ‘eu não gosto que ninguém me pegue triste em casa, quando eu recebo alguém, eu dou um jeito de ficar feliz’, são exemplos para nós”, ressaltou.

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