Apresentações dos artistas da Circocan começam neste domingo (14)

Apresentações dos artistas da Circocan começam neste domingo (14)

15h21 - 12/01/2018

Depois de uma semana ensinando nas oficinas de circo no Gramadão, é a vez dos artistas da Escola Internacional de Circo, Circocan, mostrarem o que sabem fazer. No domingo (14), haverá apresentação dos profissionais do circo no trapézio voador instalado na Vila A. Além dos voos a 10 metros de altura, os artistas farão apresentações de malabares e acrobacias aéreas (lira, tecido e trapézio fixo) e de solo. Um mágico vai interagir com o público.

Agora é a vez dos profissionais da Circocan subirem no trapézio voador (foto: arquivo 2017).

A 2ª edição do Festival de Arte e Circo tornou as tardes do Gramadão mais animadas, neste início de 2018. As aulas começaram na sexta-feira (5) e seguem até 3 de fevereiro. O Circocan trouxe oito profissionais do circo para ministrar as oficinas, ao longo da semana, e fazer as apresentações, aos domingos.

Todos os dias, as pessoas fazem fila para subirem no trapézio.

A trupe é comandada pelo presidente da Circocan, Pedro Cruz, de 30 anos. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2009, e com especialização em Circo na Beijing International Arts Scholl, em 2011, Pedro começou no circo muito cedo, aos 16 anos. Apaixonou-se completamente e hoje vive inteiramente dedicado à arte. Confira a entrevista:

JIE: O que significa o circo para você?
Pedro Cruz: O circo é uma ferramenta que nos permite conhecer nossos limites e superá-los. Por meio do circo, mostramos para as pessoas como conhecer o próprio corpo, a parte física e mental, e mostrar como elas podem chegar mais longe.

JIE: As aulas de circo são direcionadas para quem quer virar profissional?
Pedro: Sim, mas não são só para eles. A prática pode ser usada no dia a dia para conseguir falar em público, vencer a timidez em relação ao seu corpo ou devido a um trauma de infância, por exemplo. O circo me possibilitou várias formas de trabalhar com tudo isso, com a parte mental, a parte física, a parte profissional, o trabalho em equipe. Ele é uma grande forma de vencer barreiras.

Para Pedro Cruz, o circo é uma atividade inclusiva porque permite que diferentes pessoas participem e se ajudem.

JIE: E todo mundo pode praticar as atividades?
Pedro: Todo mundo. Uma coisa que eu aprendi sobre circo é que ele é uma atividade muito inclusiva. Não há espaço para estereótipos. O circo está aberto para a menina levinha e para o cara alto e forte. É a junção de vários talentos, a junção de vários perfis, um ambiente que as pessoas naturalmente aprendem a viver entre si. A pessoa entende que uma limitação dela pode ser compensada com a virtude do outro. Por exemplo, eu sou um pouco mais forte e pesado, mas se for todo mundo igual a mim, a gente não consegue fazer o trapézio. Nós precisamos de alguém mais leve, mais flexível, que tenha mais equilíbrio para trabalhar juntos.

JIE: Como é trabalhar com as diferenças das pessoas? Isso ajuda a melhorar o ambiente de trabalho?
Pedro: O circo nos faz aprender a viver com as diferenças das pessoas, o que nos permite trabalhar em um ambiente muito bom. A gente passa a ter uma convivência aberta a todos os tipos de pessoas e isso nos dá a noção da sociedade em que devemos viver. E o Circocan tem esta identidade de ser um ambiente com uma atmosfera muito positiva. A gente está sempre recebendo gente de fora, não tem essa de “forasteiro”. Minha história foi assim. Eu aprendi com um cara de fora, do Canadá, e conheci muitas escolas de ambiente legal em vários locais do exterior.

JIE: Você aprendeu com um canadense? Conte como foi isso.
Pedro: Foi em 2003, eu tinha 16 anos. Meu ex-sócio abriu uma turma no ginásio do Colégio Positivo, em Curitiba, e convidou os estudantes para participar. Eu fui desta primeira turma, que depois virou a escola. Era aluno, aí comecei a ajudar nas aulas como bolsista, depois como professor assistente, até que virei sócio da escola. Ele é canadense, mas estava no Brasil há algum tempo. Viu que ainda não tinha uma mentalidade do circo como já tinha nos Estados Unidos e no Canadá, e decidiu começar a escola. Eu não tinha prática nenhuma no circo, mas aquilo me despertou pelo lance corporal, o lance da confiança, porque eu tinha muita timidez na época. Aquilo me despertou uma luzinha e eu me achei.

A Circocan não para. Além de Foz do Iguaçu, todos os anos os artistas comandam um acampamento de verão nos Estados Unidos.

JIE: E o que aconteceu com seu ex-sócio?
Pedro: O nome dele é Shaye Patel, ele saiu da escola em 2006. Hoje vive em Curitiba, se formou em Direito, e vive uma vida “normal”. Ele já fez de tudo na vida. Foi goleiro da seleção canadense de polo aquático, fez circo, jogou futebol americano e agora pratica crossfit. Mas tem uma vida normal. Digo “normal” porque a atividade do circo não permite ter uma rotina comum. A gente trabalha em fim de semana, folga às terças. Não é uma rotina normal.

JIE: Você estava falando desta ideia de que no circo não existe “forasteiro”. Isso é próprio da atividade?
Pedro:
Acredito que sim, porque a gente viaja muito. No primeiro ano como aluno, eu já fui treinar no México e na República Dominicana. Aí vi que aquilo que o Shaye me ensinou nos primeiros meses era muito parecido com o que estavam fazendo em outro lugar. A gente percebe que tem uma linguagem universal, o circo é um mundo pequeno, ninguém está a mais de dois amigos de distância. Como a gente viaja, temos muitas conexões e parcerias permanentes com uma escola na Escócia, companhias dos EUA, uma escola em Nova York. A gente tem uma rede de contatos muito grande.

JIE: E como é a escola de vocês?
Pedro: A escola de Florianópolis fez seis anos hoje (sexta-feira, 5 de janeiro). É a nossa sede, a maior. Em Curitiba, estamos na PUC desde 2010. Já tivemos até um curso de pós-graduação. Na PUC é uma iniciação, é o circo como hobby. Já em Florianópolis a gente trabalha com a parte de lazer, mas também com quem quer se profissionalizar. Tem aulas para crianças e adultos e até artistas que já são profissionais e querem usar a escola para treinar. Ela atinge todos os níveis. Em Florianópolis temos de 60 a 80 alunos por mês e, em Curitiba, em torno de 40 a 50 alunos.

JIE: E como são as aulas? 
Pedro: Nosso carro-chefe é o programa de exercícios, o Circo Fitness. Desde o início a ideia era criar um treino que fosse voltado não para formar artistas de circo, mas para pessoas comuns ficarem bem com o corpo e trabalhar o lance de melhorar a confiança e diminuir os medos. Temos a marca patenteada, 80% de nossos alunos buscam isso. Já tivemos solicitações para criar franquias, mas não temos interesse porque nossa prioridade é com a qualidade das aulas. Hoje, 50% dos artistas que viraram profissionais começou no Circo Fitness, e isso acontece porque focamos no qualitativo e no atendimento personalizado. 

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