Ações de Itaipu incentivam produtores na preservação, diz diretor do MMA

Ações de Itaipu incentivam produtores na preservação, diz diretor do MMA

13h17 - 16/10/2017

Carlos Alberto Scaramuzza: preservação é essencial para que natureza mantenha os serviços ambientais.

Os programas ambientais de Itaipu no Oeste Paranaense são uma forma de incentivar os produtores rurais a preservar o meio ambiente e a manter, assim, os serviços ambientais na região. A afirmação é do diretor do Departamento de Conservação de Ecossistemas, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Alberto Scaramuzza. Ele e outros especialistas participaram do "Seminário Serviços Ecossistêmicos e Valoração", organizado pela Itaipu no Ecomuseu, na terça-feira (10).

No evento, foram mostradas diversas experiências de municípios e estados que incentivam financeiramente proprietários rurais a preservarem áreas de nascentes ou remanescentes florestais e, com isso, garantem serviços ambientais importantes (como o fornecimento de água, por exemplo) para suas regiões.  A “valoração de serviços ecossistêmicos” - tema do encontro - consiste, justamente, em um conjunto de métodos utilizados para atribuir valor de um bem ou de um serviço provido pelo meio ambiente.

“A natureza fornece serviços de graça, como água, filtragem da chuva, conservação do microclima, resistência às mudanças climáticas, entre outros. Mas para que ela faça isso é preciso haver a preservação”, explica o superintendente de Meio Ambiente da Itaipu, Ariel Scheffer. “Por isso, as pessoas que mantêm estas áreas devem ser de alguma forma recompensadas”.


Ariel Scheffer: pessoas que mantêm as áreas preservadas devem ser recompensadas.

Para Scaramuzza, que apresentou um guia sobre como governos estaduais e municipais podem trabalhar esta compensação, a atuação de Itaipu na região é uma forma de pagamento pelos serviços ambientais. “Nem todo pagamento precisa ser em dinheiro. Itaipu fornece mudas para o plantio, presta assistência técnica, dá capacitação. São formas de compensar os agricultores”, explica. De acordo com ele, como contrapartida, os proprietários rurais mantêm as áreas preservadas.

O arranjo feito na região, coordenado pela Itaipu, é a forma mais eficiente de preservar a natureza e garantir a manutenção dos serviços ambientais, acredita Scaramuzza. “Notei durante as apresentações que as prefeituras não estão interessadas em receber pelo que preserva mas, sim, garantir que a cidade terá fornecimento de água. As pessoas se juntam para resolver um problema e este tipo de conexão é fundamental para a gestão do espaço territorial”, conclui.

Pagamento pelos serviços


Participantes conheceram mais sobre a relação entre compensação financeira e a manutenção dos recursos naturais.

Ao longo do dia, o seminário apresentou exemplos de compensação financeira pela preservação dos recursos naturais. A Iniciativa Oásis, da Fundação Grupo Boticário, em parceria com outras empresas, é uma delas. Criada há 13 anos, ela já atende 500 agricultores de todo o País, em uma área total de 5 mil hectares.

“Temos cooperação técnicas com prefeituras, iniciativa privada e órgãos de abastecimento que remuneram os agricultores que fazem o bom uso da água”, conta o coordenador de Estratégias de Conservação, da Fundação Grupo Boticário, Guilherme Zaniolo Karam. Em São Bento do Sul (SC), por exemplo, a empresa local de abastecimento de água faz o pagamento aos agricultores. “É interesse da empresa manter a qualidade da água. Nós damos o apoio técnico”, explica.


Guilherme Zaniolo Karam, da Fundação Boticário, instituição que tem parcerias com diversas prefeituras no País.

Para o diretor executivo da ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, outra forma de manter áreas preservadas é incentivar que os agricultores se unam para criar reservas florestais particulares. 

No Programa Desmatamento Evitado, ele sugere que haja um intercâmbio entre os proprietários rurais para cumprir os 20% de reserva legal exigidos pelo estado. “Propriedades que não conseguiram atingir este valor podem 'alugar' uma área de outra propriedade que tenha uma floresta maior do que a exigida. Assim, seriam criadas pequenas reservas particulares”. 

O mais importante, explica Clóvis, é que estas reservas permaneçam na região. “Pela lei, é possível preservar uma área florestal no litoral para compensar o desmatamento local. Mas isso não é interessante, porque os serviços ambientais ficam longe da região”, conclui.


Clóvis Borges, da Sociedade  Vida Selvagem e Educação Ambiental, defende que proprietários possam criar reservas naturais fora de suas áreas.


Participantes do evento durante foto oficial do encontro.

O JIE Publicou

Evento no Ecomuseu de Itaipu aborda valor dos recursos oferecidos pela natureza
 

Versão para impressão